Como não jogar lixo no chão

Como não jogar lixo no chão

O governo Nanci é o maior culpado pela sujeira em São Gonçalo. As lixeiras, quando existem, transbordam. A coleta é irregular e mal planejada, o que leva comunidades inteiras a jogar sacolas de lixo, todos os dias, na esquina mais próxima. O prefeito ignora as empresas que poluem o município livremente, também não multa os gonçalenses sujões. Cada um de nós, entretanto, pode ajudar a manter a limpeza não jogando lixo no chão.

Onde o morador da Favela da Central, no Raul Veiga, vai deixar seu lixo já que o caminhão da coleta não entra na favela? E o morador das ladeiras estreitas, onde nem carro de passeio consegue passar? Nanci deveria sair do Gabinete, no número 100 da rua Feliciano Sodré, entrar na favela, subir as ladeiras e combinar com cada morador o dia e a hora da coleta. O cidadão entregaria seu lixo diretamente ao caminhão ou deixaria seu lixo no coletor mais próximo da sua casa. Sem regularidade no serviço, sem disciplina e vontade pública, e sem coletor nem caçamba de lixo, não vai dar.

Agora vem a nossa parte. Se você terminou de fumar um cigarro, procure uma lixeira e jogue a guimba nela. Se a lixeira estiver cheia demais, algo comum em São Gonçalo, enrole a guimba em um pedaço de papel e guarde no bolso.

Saia de casa com uma sacola plástica dobrada dentro do bolso. Se comer um salgado e não encontrar nenhuma lixeira, não jogue o guardanapo no chão, nem o copo de GuaraCrac. Tire a sacola do bolso, guarde seu lixo nela e leve para casa para entregar ao caminhão da coleta. Vale para qualquer produto que consumir.

Muitos jogam lixo no chão porque “todo mundo joga”. Não é a resposta certa. Você joga lixo no chão porque é preguiçoso. Se todo mundo resolver tomar um banho no imundo Rio Alcântara, na altura da Rua da Feira, você vai tomar também? Não vai porque age com responsabilidade em relação à própria saúde. O lixo é seu, de mais ninguém, e também exige que você seja responsável com ele. Na verdade, cada cidadão do mundo atual deve se preocupar com muito mais do que não jogar lixo no chão. É preciso gerar menos lixo e reciclar o máximo que pudermos.

Razões para acreditar em São Gonçalo

Razões para acreditar em São Gonçalo

Problemas graves afetam o município de São Gonçalo. A pobreza é o maior deles. O percentual da população com rendimento nominal mensal per capita de até meio salário mínimo é de 34,5% (IBGE). Há tantas outras deficiências que gonçalenses decepcionados e revoltados gritam nas redes sociais que sua cidade está condenada ao fracasso. Contestando a realidade e criando soluções, mesmo pequenas, essas pessoas são a primeira razão para acreditar em dias melhores para São Gonçalo.

A revolta e a decepção são sentimentos de transformação universais. Além disso, qualquer cidade é complexa demais pra ser considerada eternamente fracassada. A vida não para. Se a indiferença desanima parte da segunda maior população do Estado do Rio de Janeiro, boa parcela se esforça diariamente para realizar seus sonhos no município, como professores, artistas e empreendedores.

Para acreditar em São Gonçalo, precisamos conversar com as pessoas na rua, abandonar o próprio mundo, conhecer a coragem daqueles que dedicam a vida ao crescimento municipal. O exemplo deles é inspirador.

Eu resolvi pedalar do Vila Três até o Centro da cidade. Puxei assunto com um jornaleiro e ele me disse que São Gonçalo é boa. E que pra melhorar basta colocar fiscalização séria nas ruas contra a desordem urbana e criar turmas de varrição noturna. Uma menina de 12 anos do Vila Três está chateada com a sujeira que vê na Rua da Feira, no caminho para a escola. A solução que ela propôs também é simples: a Prefeitura cuidar da cidade. Meu último entrevistado foi um menino de 7 anos de idade. Ele disse que a cidade não é boa porque é ruim, e que não tem como melhorar porque ela é horrorosa. Muitos gonçalenses adultos são tão limitados quanto ele quando refletem sobre a própria cidade.

Do Centro fui à Praça do Rodo, ali do lado. Curiosamente ela estava sendo preparada para um evento de empreendedorismo numa parceria da Prefeitura com o SEBRAE. Iniciativa ótima para uma cidade que empreende em qualquer canto, calçada e buraco. Negócios criados por pequenos empreendedores são os principais geradores de emprego no mundo inteiro.

Em momentos de crise social, como essa que São Gonçalo atravessa, os jovens renovam as esperanças do bairro, da cidade e do país. São Gonçalo tem juventude politicamente ativa. Conta com oferta de educação gratuita, danças, lutas, cooperativas de reciclagem e dezenas de iniciativas que não faço ideia. Para cada problema, um projeto em funcionamento para combatê-lo.

Ainda escravizados pela pobreza

Aplicação dos ideais abolicionistas contra a pobreza

O Brasil tem um projeto iniciado no século 19 que continua inacabado: respeitar a dignidade de cada habitante do território nacional. Até o dia 13 de maio de 1888, a Escravidão negou a cidadania e o reconhecimento do valor dos homens e mulheres que constroem o país. Nos dias atuais, a pobreza castiga os brasileiros e marca nossa história com injustiça e vergonha.

Em 2017 a pobreza extrema aumentou 11% (Valor). Quase 15 milhões de pessoas sobrevivem com menos de R$ 136 por mês. O problema não para por aí. Há tanta miséria no mundo que foi preciso criar níveis de pobreza. Pobres comuns, que têm renda familiar equivalente a R$ 387,07 mensais, chegam a 50 milhões de almas (Agência Brasil).

Alguém poderia ignorar o sofrimento de 50 milhões e concluir que mais de 150 milhões de pessoas vivem confortavelmente no Brasil. Seria um engano causado por esses níveis de pobreza. Metade da população de 207 milhões ganha menos de um salário mínimo por mês (O Dia). E sabemos que o salário mínimo brasileiro é insuficiente para atender às necessidades básicas.

O movimento abolicionista, que teve Joaquim Nabuco como um dos seus expoentes, defendia que um país é tão livre quanto sua classe trabalhadora. Pregava o fim da submissão do escravo ao senhor tendo em vista os valores de uma sociedade civilizada, entre eles a liberdade. Liberdade dos grilhões, do chicote, mas principalmente liberdade da exclusão social. Que a relação entre senhor e escravo não se transformasse em outra igualmente abominável: ricos e pobres.

Seis brasileiros possuem a mesma riqueza que a metade da população mais pobre (El País). Embora a escravidão tenha sido abolida há 130 anos, o poder ainda se concentra em poucas mãos. Que liberdade tem uma família que ganha menos de um salário mínimo por mês para se alimentar com dignidade, se vestir e educar seus filhos? A base da pirâmide social brasileira são miseráveis, pobres e gente incapaz de ler e interpretar seus direitos e deveres escritos na Constituição Federal. Somos desde o princípio um país de excluídos.

Discutir o direito à liberdade parece ridículo nos dias de hoje, desde a afirmação dos direitos humanos. No passado, boa parte do Senado ridicularizou o projeto abolicionista de por fim à escravidão como algo utópico e até prejudicial à saúde mental do negro, escravizado por mais de três séculos. Em um futuro próximo, veremos pessoas morando em barracos de madeira nas periferias, suportando o esgoto a céu aberto na porta de casa, com a mesma revolta que olhamos imagens antigas de seres humanos amontoados nas senzalas.

Joaquim Nabuco e o movimento abolicionista acreditavam na capacidade humana de perceber o que é melhor para todos. Diziam que não se constrói uma nação baseada na escravidão e destacavam que a vergonha não estava no escravo, mas no senhor. Também não se constrói uma nação baseada na pobreza. Vergonhosa não é a falta de recursos, infame e vil é a acumulação de capital. Os ideais abolicionistas nos convidam a não admitir, por mais um dia sequer, alguém vivendo na pobreza.