Crie um negócio social em 2015

Que tal começar o ano de 2015 tirando da gaveta a antiga ideia de montar uma empresa? A burocracia nacional não é mais obstáculo, pois é cada vez mais simples registrar um negócio no Brasil. Para empreendedores individuais (ou com um funcionário) que faturam até R$ 60 mil por ano, o registro é feito inteiramente pela Internet, em poucos minutos.

E se, ao mesmo tempo, você colaborasse para o desenvolvimento de São Gonçalo, enquanto realiza o sonho de ser empresário? Através de um negócio social é possível. Não se trata de caridade, mas de unir seus ideais de independência financeira e justiça social ou a vontade de ser seu próprio chefe e fazer a diferença no mundo. E não é preciso muita preparação, nem dinheiro, para começar.

Em 2006, Muhammad Yunus, criador do conceito do negócio social, ganhou o prêmio Nobel da Paz como reconhecimento pelo trabalho que começou emprestando centavos de dólar aos pobres de Bangladesh. À primeira vista parece que emprestar pessoalmente centavos de dólar aos necessitados não levará a lugar nenhum, mas hoje Yunus é presidente do Grameen Bank, que oferece microcrédito para milhões de famílias que estão conseguindo vencer a pobreza.

Consumidores modernos preferem as empresas que agem como o Grameen Bank, sem prejudicar o meio ambiente, contribuindo para o desenvolvimento das comunidades onde estão instaladas. São Gonçalo carece de empresas assim; se você pretende montar uma empresa com atuação na cidade, mesmo que ainda não tenha definido o ramo de operação, certamente deseja construir uma marca sólida apoiada em clientes fiéis, então siga os 7 princípios abaixo e transforme sua ideia em negócio social:

  1. O objetivo do negócio é a superação da pobreza ou de um ou mais problemas em áreas como educação, saúde, acesso à tecnologia, meio ambiente etc. que ameaçam as pessoas e a sociedade – e não a maximização dos lucros.
  2. A empresa alcançará a sustentabilidade econômica e financeira.
  3. Os investidores recebem de volta apenas o montante investido. Não se paga nenhum dividendo além do retorno do investimento inicial.
  4. Quando o montante do investimento é recuperado, o lucro fica com a empresa para cobrir expansões e melhorias.
  5. A empresa será ambientalmente consciente.
  6. A força de trabalho recebe salários de mercado e desfruta condições de trabalho melhores que as usuais.
  7. Faça-o com alegria!

Fomos enganados com luzes de Natal

Confesso que amoleceu meu coração a iluminação de Natal espalhada em diversos pontos da cidade. Mas, quando percebi que a ornamentação se tratava de enganação usando o dinheiro do povo, me revoltei.

Antes da ceia de Natal, tenho certeza que você limpará os móveis, o chão da casa, e jogará o lixo “fora”. A Prefeitura de São Gonçalo, repleta de maus hábitos, não agiu assim: tirou do bolso do gonçalense R$ 370 mil para instalar luzes de Natal em uma cidade caótica.

Sobre a decoração do viaduto de Alcântara, pensei: “O viaduto iluminado ficou bonito”, tomado pelo espírito natalino. Contudo, o viaduto continua sendo usado como outdoor irregular por empresas e políticos imundos que penduram faixas na mureta. Quase dois meses após as eleições, ainda há faixas penduradas lá, deterioradas, ameaçando cair sobre as pessoas. Se a Prefeitura quer embelezar a cidade, por que não retira as faixas ilegais?

Na rua Manoel João Gonçalves, em frente ao viaduto, pedestres não conseguem mais transitar, tamanha a quantidade de lixo espalhado na calçada por lojas e camelôs. O fedor incomoda. Em vez de lesar os cofres públicos, por que a Prefeitura não fiscaliza e multa as empresas que sujam a cidade?

No bairro Estrela do Norte, próximo ao Centro Cultural Joaquim Lavoura, uma árvore de Natal solitária passa o dia tocando Jingle Bells e enquanto o dinheiro público é desperdiçado, o maior evento cultural da cidade, Uma Noite na Taverna, continua sem apoio financeiro municipal. Enquanto o dinheiro público toca Jingle Bells, na rua onde moro as lâmpadas de três postes estão queimadas, favorecendo a violência.

“Vejam a linda decoração de Natal que preparei para vocês”, diz o Prefeito, sem mencionar que quem pagou a conta foi o cidadão. Usou nosso dinheiro para disfarçar as falhas da sua gestão, incapaz de conseguir parcerias com o setor privado para dividir os custos, como fazem as administrações inteligentes.

Restam ao gonçalense duas opções: acreditar que valeu a pena gastar R$ 370 mil para decorar uma cidade abandonada ou exigir do poder municipal limpeza e organização, uma cidade onde teremos orgulho de viver.

Para ser vereador, basta ser camelô de sucesso

Para ser vereador em São Gonçalo, basta conquistar notoriedade como miliciano, comerciante ou camelô. Não é exigido qualquer desenvolvimento intelectual nem ideologia política, apenas a protocolar filiação partidária.

Alguns vereadores mal sabem escrever. Em seus perfis nas redes sociais, cometem erros grosseiros de português, demonstrando ignorância e incapacidade de legislar em defesa dos interesses comuns. Para disfarçar a própria inutilidade, há despudorados que nesta época do ano oferecem cestas de Natal aos eleitores, fingindo ser Papai Noel. Jamais poderão tirar da lama o povo que o elegeu, tamanho o despreparo.

Curiosamente, o indivíduo sabe que elege bandidos e incompetentes, mas vota seduzido pelas promessas, porque deseja a todo custo o nivelamento da rua sem asfalto (4 vereadores declararam ao TSE possuir retroescavadeira), o emprego prometido pelo candidato; estúpida ambição cega o cidadão gonçalense. E o que leva milicianos e camelôs a se candidatar? Salário de mais de R$ 9 mil, troca de favores, propina, acordos oportunistas…

Prova recente da falta de interesse por soluções concretas para os problemas enfrentados foi a quase nula participação no debate sobre política cultural realizado na última quinta-feira, onde só um vereador havia confirmado presença. E ainda o almoço com o governador do Estado ocorrido dia 04/12/2014, quando se comportaram como estudantes do Ensino Fundamental visitando o Palácio Guanabara, sorrindo ao lado do governador enquanto faltam poucos dias para 2014 acabar e não temos em solo gonçalense sequer um metro de trilho da Linha 3 construído.

Creio que menos de 5 vereadores realmente trabalham pelo bem da cidade. Entre eles há quem tenha histórica militância política, boa formação escolar e intimidade com as novas tecnologias e não necessariamente aproveitaram a fama da sua atividade comercial para se eleger. Citar seus nomes me envergonharia como cidadão visto que representam apenas 19% do total do corpo da Câmara, além de caracterizar elogio gratuito.

Quanto ao povo de São Gonçalo, também nele nenhuma ideologia política se destaca, nenhum legítimo representante ou líder, aqui são raras até simples associações de moradores, fundamentais para o desenvolvimento dos bairros. No entanto, temos a essência do povo brasileiro, resiliência e criatividade, e a viciada classe política não é nosso reflexo exato, ela revela somente a pior parte de nós.