Como ajudar o Abrigo Cristo Redentor

Sempre que visito o Abrigo do Cristo Redentor, tenho vontade de avançar o tempo, chegar à terceira idade e me mudar pra lá. Será que a instituição acolhe homens de 34 anos? Assim não teria que esperar. Se você nunca esteve no Abrigo, no bairro Estrela do Norte, não conhece um dos lugares mais aconchegantes de São Gonçalo. E ele precisa da sua ajuda para se manter.

O Abrigo do Cristo Redentor é uma sociedade civil sem fins lucrativos que presta assistência completa a idosos carentes. Por conta do atraso de 11 meses no recebimento de recursos do Estado do Rio de Janeiro, a instituição acumula dívidas que ultrapassam R$ 700 mil (Jornal Extra).

Para que o Abrigo continue um espaço limpo, arborizado, alegre e surpreendentemente juvenil, embora acolha 147 idosos, entre eles cantores e músicos talentosíssimos, você pode ajudar de diversas formas:

  • Torne-se um associado(a). A partir de R$ 20,00 mensais, que podem ser pagos com um boleto bancário recebido em casa. Clique aqui para se cadastrar.
  • Doe alimentos. A qualidade da alimentação dos residentes depende exclusivamente das doações recebidas. Entre as necessidades atuais estão itens básicos como feijão e açúcar. O Abrigo fica na Rua Nilo Peçanha, nº 320. O telefone é +55 21 2712-0750.
  • Ajude financeiramente. São aceitas doações de qualquer valor em depósitos ou transferências para a conta-corrente 00566-0, agência 6148 do banco Itaú, CNPJ: 31.733.843/0001-20.
  • Visite e almoce no Abrigo. Diariamente, até às 14h, é servido um almoço delicioso a R$ 8,00 como forma de arrecadar recursos. Aproveite para caminhar pelo espaço e conversar com os velhinhos. Eles têm opinião diversa sobre o impeachment de Dilma Rousseff e a crise no Estado do Rio.

Tinha seresta ao vivo durante o almoço servido na quarta-feira (28/12). Também formada por idosos, a banda apresentou canções de sentimento profundo e letras longas, que não são mais ouvidas atualmente no rádio. Quando chegar minha vez de me hospedar no Abrigo, espero ouvir Legião Urbana e O Rappa nas serestas, mas do jeito estranho que o mercado da música anda, provavelmente terei que dançar ao som de clássicos como MC G15 e Anitta.

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A chegada do vereador Papai Noel

Papai Noel foi eleito vereador em São Gonçalo pela segunda vez. O primeiro ato do bom velhinho, ainda não diplomado, antes de tocar no gordo contracheque de R$ 15 mil, foi fazer uma festa de agradecimento pelos votos recebidos no Vila Três, seu curral eleitoral.

Na semana anterior o carro de som anunciou alto pelo bairro “A chegada de Papai Noel” e as crianças ficaram alvoroçadas. “Então Papai Noel existe”, era a conclusão natural delas, e não havia alegria maior porque Noel traria consigo atrações incríveis: pula-pula, fliperama, basquete eletrônico, piscina de bolinhas, algodão doce, pipoca e até tamancobol, jogo empolgante que não existia na minha infância. Nas ruas onde o carro de som passava, os pequenos mais insistentes arrancavam de seus pais o compromisso de levá-los ao lugar da grande chegada, a praça do Fumacê, comunidade dentro do Vila Três.

A praça está mal conservada, tem balanços quebrados, mato e lixo espalhados no chão, mas Papai Noel foi assim mesmo. Que homem humilde. E como sabe fazer uma festa boa sem revelar suas verdadeiras intenções e a origem da grana.

Não dava pra contar as crianças nas filas dos brinquedos, ou correndo pra cá e pra lá com sorriso no rosto, pipoca em uma das mãos e refrigerante na outra. Podia haver 100 ou 150 delas. Dezenas se espalharam só no campo de várzea onde um campeonato de futebol acontecia, dois times de meninos uniformizados disputavam uma partida e outros garotos aguardavam sua vez de jogar.

Ainda não lembrei de dizer que era tudo de graça, característica inconfundível dos eventos patrocinados por Noel, inclusive em tempos de crise econômica. Os brinquedos dos melhores shoppings centers de São Gonçalo espalhados ao alcance dos pobres, tudo de graça, até a cerveja distribuída moderadamente para as mamães e papais. A presença de Papai Noel na praça do Fumacê era deliciosa e seu poder mais óbvio do que a existência de Deus.

A harmonia da festa foi quebrada quando os bondes de motocicletas, sem placas, passaram em alta velocidade em direção ao Morro da Caixa d’Água. Carregavam jovens, negros, sem capacete e sem camisa mas usando boné, a moda da favela. Crianças que antes frequentavam as festas do Papai Noel e hoje são soldados do tráfico.

Quando as ajudantes de Papai Noel apareceram, houve uma comoção geral. Elas se aproximaram das crianças, colaram um adesivo da última campanha eleitoral no peito delas e disseram que era preciso manter o adesivo colado no corpo para ganhar presente. Os meninos e meninas pulavam, gritavam e rodavam de mãos dados, dando saltos de extrema felicidade. No adesivo estava escrito “Nanci 23”. Não sabia que o prefeito eleito é amigo do velhinho mais famoso do mundo.

Antes de cumprir sua promessa e distribuir os presentes, o vereador Papai Noel fez um louvável discurso em defesa da Educação. Ele não quer nenhuma criança gonçalense fora da escola. Mas, infelizmente, cometeu um erro grave: não colocou nenhuma lata de lixo no local da sua chegada. Crianças de todas as idades terminavam o algodão doce e jogavam o palito no chão, também repleto de copos descartáveis. Cena desagradável, mal educada e nem um pouco natalina.

Um recado de D. Mariana para Neilton Mulim

Não pretendia escrever mais uma vez sobre o prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim. São 06:10 e eu gostaria de estar dormindo. Acontece que Dona Mariana, uma senhora de 78 anos prejudicada pelo governo municipal, pediu para eu enviar um recado ao prefeito.

Disse para D. Mariana que escreveria o artigo, mas a enrolei por semanas. Ela insistiu. Faz 2 anos que o nome de Neilton Mulim circula nesse blog e seu governo acabará em alguns dias, acho inútil qualquer recado agora. A senhora passou a perguntar todo santo dia se eu havia escrito sua reclamação. Como tenho medo de praga de gente idosa, resolvi escrever logo.

Dona Mariana tem dificuldades de locomoção, por causa de um fêmur quebrado meses atrás, e o projeto Rua Nova, menina dos olhos do governo Mulim, destruiu a calçada que havia na frente da casa dela e deixou no lugar algo parecido com uma trincheira de guerra.

Para uma idosa aposentada, morando sozinha na rua Alexandre Muniz, no Vila Três, manca e com uma vala de meio metro de altura a isolando do mundo, o esforço pra sair de casa é hercúleo. O mato ocupa a vala, não se vê o chão onde pisa. No canto esquerdo do buraco restou uma goiabeira que D. Mariana se agarra ao descer e subir, cheia de dor, quando precisa comprar pão, medicamentos e outros itens de necessidade básica.

“Prefeito, era melhor ter deixado minha calçada intocada, do jeito que estava antes das obras”, lamenta a senhora, moradora de São Gonçalo há mais de 60 anos. Recado dado. Outra falha do Governo que a envergonha, o cano do esgoto que sai da sua casa está à mostra, a Prefeitura não cobriu como deveria.

A calçada destruída de D. Mariana não é um caso excepcional de incompetência. Alguns moradores do quarteirão onde mora gastaram suas economias corrigindo o estrago nas calçadas causado pela Prefeitura. No Raul Veiga, bairro vizinho, a rede de esgoto recém construída entope e transborda semanalmente, a rede hidráulica quebra com frequência, o asfalto novo já cedeu em diversos trechos, outros nem asfalto receberam. No Bandeirante, soube de um bueiro instalado sem tampa na frente de uma garagem, impedindo o direito de ir e vir de carro dos moradores.

Embora tenha causado um rombo nos cofres públicos estimado em R$ 600 milhões (Jornal Extra), temo pelo bem-estar de Mulim. D. Mariana geme e chora quando escala a goiabeira para entrar em casa, soltando fogo raivoso pelas narinas e resmungando palavras incompreensíveis. Não gostaria de estar na pele do prefeito, praga de gente idosa é poderosa.