Metade dos jovens da Grécia está desempregada, cerca de 10 mil cidadãos do país, abalados pela crise econômica, se suicidaram desde 2009 e o FMI defende que a dívida grega se tornou insustentável. Uma Europa verdadeiramente unida perdoaria a dívida o quanto antes e permitiria à Grécia ajustar a própria economia.

Em Atenas, há padarias distribuindo pães de graça aos aposentados e desempregados que não podem comprar o alimento mais básico. Reconhecida abertamente pelo governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras e pelo Parlamento grego que aprovaram, por pressão, o plano de austeridade mais recente imposto pelos credores, a crise profunda exige soluções que nascerão apenas de dentro para fora, a partir da capacidade de se reinventar e vencer desafios do povo, não através de imposições externas que há 6 anos resultam em recessão econômica.

O efeito sobre o povo grego, desde 2008 vivendo penúrias, ao receber o perdão da dívida seria único: liberdade para sonhar, pensar, se reerguer. Em vez de incentivar o desenvolvimento de novos negócios e geração de renda, o Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Europeia emprestam dinheiro com exigências inegociáveis de cortes públicos e ajustes severos. Isto não é ajuda, é manipulação ofensiva que atende interesses financeiros gananciosos desde a atrapalhada inclusão da Grécia na zona do euro.

Se o perdão prejudicaria outros países do bloco, então a Europa emprestou o que não podia e a crise nunca foi apenas grega, mas continental. Se foi um sacrifício pelo país vizinho, ótimo. Façam outro, agora realmente nobre. Não é honroso emprestar dinheiro sob juros e exigências a amigos. A crise não deve penalizar apenas um povo em um continente que se intitula unido. Se os gregos são os causadores dos seus males, que a Europa demonstre compaixão e perdoe a dívida.

O tempo passa, a sociedade se torna ainda mais complexa, mas o perdão continua sendo uma opção quando buscamos soluções para as questões mais exigentes. Perdoar implica em esquecer culpados e não repetir erros. Através da solidariedade natural que nos sustenta como seres humanos, o continente europeu inteiro se torna responsável por encerrar o padecimento e morte dos gregos.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

Deixe um comentário

Deixe uma resposta