São Gonçalo é uma cidade grande, com uma linda história de sobrevivência. Ignorar seu passado de propósito e chamar a Praça do Rodo de “praça da Marisa” é criminoso.

O município lutou para se desvencilhar politicamente de Niterói durante anos e hoje se esforça para superar graves problemas sociais, a baixa qualificação profissional, o pouco acesso à Cultura. A solução passa pelo resgate das próprias raízes para corrigir o rumo. Mas há pessoas que conhecem até o nome oficial da praça, Luiz Palmier, e a chamam de praça da Marisa. A Prefeitura, quando anuncia eventos no local, comete tal crime. Os 27 vereadores da Câmara, cuja maioria não conhece a história da cidade, também pecam.

E a Marisa não paga um centavo por esta maravilhosa ação de marketing permanente. Secretarias de governo, empresas privadas, assessorias de comunicação e a população em geral trabalham de graça ao citar seu nome.

O termo “praça do Rodo” já foi mais popular que “praça da Marisa” há pouco tempo. Aí surgiu essa moda degradante de trocar o nome da praça – onde os bondes retornavam em direção à Niterói -, dona de uma importância para o desenvolvimento da cidade infinitamente maior do que a marca de varejo (Tafulhar).

A praça do Rodo continua especialíssima hoje. É uma praça diferente da Zé Garoto, mais indicada para ler um livro, apreciar um pouco de silêncio ou o escasso verde gonçalense das árvores. No Rodo, São Gonçalo inteira está ao seu redor, na pista movimentada de veículos, ruidosa, nos pedestres apressados, nas lojas fervendo de gente, na lanchonete vendendo salgado e refresco. Aliás, o típico gonçalense come pelo menos um salgado na rua por semana.

Na praça do Rodo a banca de jornal é tradicionalmente agradável pois permite esquecer por alguns segundos o movimento confuso ao lado e saber das últimas notícias, e as feiras de livros que frequentemente acontecem são o que mais aprecio na rotina local.

Há bancos mas faltam árvores na segunda praça gonçalense mais famosa. E sobra ferro naquela coluna ridícula (apenas prefeitos estúpidos plantam ferro em vez de árvore). A réplica de um bonde cumpriria melhor o papel de preservação da memória.

Sempre que alguém chama a Praça do Rodo de “praça da Marisa” tenho vontade de correr nu entre os carros na contramão gritando: “A praça é do Rodo, porra!”. Evitem essa vergonha, por favor. A praça é do Rodo.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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