Governo maltrata a arte municipal

Entre os dias 10 e 30 de setembro de 2014, foram expostas no shopping Pátio Alcântara belíssimas obras de artistas plásticos gonçalenses. Ver a cidade com os olhos da arte, quando estamos habituados ao caos, revigora. A forma como essas obras são mantidas fora da exposição, no entanto, é revoltante.

O evento teria mais importância se fosse realizado em local aberto (como na extinta praça Carlos Gianelli, se a mesma não tivesse sido vendida), mas a iniciativa em homenagem ao aniversário de 124 anos de São Gonçalo, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, permitiu que os frequentadores do shopping apreciassem diferentes ângulos da cidade. Os problemas começaram depois que gostei tanto de um dos quadros que decidi tentar comprá-lo. A partir deste instante, testemunhei estarrecido o quanto a arte gonçalense é maltratada.

Ainda empolgado, resolvi buscar mais informações sobre a obra, talvez conhecer a artista que a pintou. Mas no local não havia site ou telefone dos responsáveis pela exposição, e esta foi minha primeira reclamação.

Dois dias depois, através do site da Prefeitura, achei o telefone e liguei para a Secretaria de Cultura. Disseram que o acervo pertencia à Casa das Artes Villa Real e que eu deveria entrar em contato com a mesma. Liguei imediatamente para a Casa das Artes e, apesar de muito bem atendido, não recebi nenhuma informação porque o Superintendente não estava presente. Minha segunda reclamação: informações de interesse público devem estar disponíveis, não podem “pertencer” a alguém. Fui orientado pelo atendente a ligar na semana seguinte.

Em vez de ligar, estive na Casa das Artes no dia e horário indicado, falei com o Superintendente e novamente fui bem atendido, mas ele também não pôde me ajudar. Procurou com empenho nas diversas gavetas e pastas avulsas pelo contato da Mônica Fonseca, artista que pintou o quadro que mais gostei, mas nada encontrou. Terceira reclamação: a Casa das Artes Villa Real não tem um catálogo organizado das obras que expõe, muito menos um cadastro simples dos artistas da cidade.

Uma semana após o fim da exposição, retornei à Villa Real na esperança de pelo menos rever o quadro. Mas não acreditei quando vi as obras, antes expostas no shopping, agora amontoadas em um depósito, coladas e danificando umas às outras, empilhadas de qualquer maneira junto com cadeiras e outros objetos que poderiam rasgá-las facilmente. As artes plásticas gonçalenses, que retratam as belezas naturais e o povo da cidade, são tratadas como entulho pelo governo municipal, que é responsável pela Casa das Artes Villa Real. Quarta reclamação.

Destaco que os funcionários muito se esforçaram para me atender, mas mesmo sem os recursos necessários que o governo não fornece, poderiam tratar a arte da cidade com mais cuidado.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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