Outra solicitação do nosso gabinete atendida

Mais uma solicitação atendida

Hoje estive no conserto do buraco da Rua Dona Maria, no bairro da Lebre, em São Gonçalo. No local também havia um vazamento de esgoto que durava anos, desde a época de Joaquim Lavoura. O vazamento inundava o buraco enorme no meio do pista, tornando o trabalho da equipe da Prefeitura muito mais difícil. Tivemos que trazer uma bomba hidráulica de Niterói para sugar a merda primeiro, deixar o buraco limpo e só depois fechá-lo. Com a graça de Deus e o pronto atendimento do prefeito Tenente Castro, os dois problemas foram resolvidos.

Só que nesse meio-tempo caiu uma chuva forte em São Gonçalo e encheu o buraco de novo. Trabalho de vereador não é fácil, esses blogueiros canalhas da cidade só sabem criticar porque não conhecem a rotina sofrida do parlamentar. Meu salário de R$ 15 mil, que pode parecer alto, na verdade é quase uma injustiça, trabalho praticamente de graça. A quantidade de cestas básicas, botijões de gás e remédios que distribuo só aumentou durante a pandemia. As pessoas vêm a mim desesperadas e o que eu deveria fazer, virar as costas? A legislação desse país foi criada por gente que nunca passou fome.

Sou escolhido pelo povo, mas sou humilde, minha única intenção é servir. Tanto que mandei construir três clínicas particulares para firmar parcerias com a Prefeitura e contribuir ainda mais pela qualidade de vida do gonçalense. Quase não tenho lucro, na verdade o que ganho nessas clínicas é dividido com meus parentes, que também trabalham incansavelmente, dia e noite sem parar, pelo bem do povo de São Gonçalo. Quando o RJTV resolve ir onde nossas clínicas estão localizadas e não encontra nada, nem um bisturi, é porque a Globo está a serviço dos meus inimigos políticos, invejosos que descobriram que passo férias em Búzios, visto que não saio do Brasil porque tenho hábitos simples.

Na minha foto no Facebook você pode ver que as botas que uso estão sujas do cocô do gonçalense. Entrei no buraco com disposição, confesso que não tenho nojo, amo essa cidade com todas as minhas forças e vou continuar amando até o dia que eu morrer. Pode perguntar aos meus eleitores, sou o vereador que mais trabalha, não paro um segundo no gabinete. Não à toa esse é meu sexto mandato. Lugar de vereador é na rua, ouvindo as reclamações do povo, sofrendo junto com ele, lutando para resolver os problemas. Ou entregando moções de aplausos a quem ajuda nosso mandato continuar funcionando. Se eu ficasse no gabinete, a Lebre ainda seria um bairro atrasado, sem iluminação pública e vias esburacadas. Trazer desenvolvimento para o lugar onde nasci e cresci é uma honra.

Com o serviço pronto, aproveitei e subi no pé de goiaba carregado que havia na esquina. A prova está no Facebook também, dá uma olhada lá. A garotada próxima ficou doida e gritava “Me dá uma goiaba, tio, me dá uma”, estendendo a mão pra mim. Entreguei uma goiaba pra cada um, jamais vou abandonar o povo de São Gonçalo.

Viva o Teatro Municipal de São Gonçalo

Viva o Teatro Municipal de São Gonçalo

Explorado como palanque político até na noite de abertura, quarta-feira passada, finalmente o Teatro de São Gonçalo nasceu para a arte e para o público através de uma apresentação marcante da Orquestra Municipal. Que não emocionou a plateia sozinha, a Orquestra contou com a performance de alto nível da Companhia Art e Dance, do projeto social de percussão Sorrindo e Batucando e da Associação dos Músicos Brasil-Escócia.

Depois do investimento de R$ 14 milhões, duas inaugurações falsas, feitas por Mulim e Nanci, e cinco longos anos desperdiçados sob portas fechadas, na abertura do teatro o público deveria consumir arte, nada mais. Antes da primeira nota musical, discursaram na segunda sessão do evento o secretário de turismo e cultura, o secretário de gestão integrada e projetos especiais, filho do prefeito, e o prefeito de São Gonçalo, acompanhado pelo vice. No meio da apresentação, o maestro também discursou a favor do governo, mesmo reconhecendo que maestros geralmente não falam. E como último ato da noite, a plateia precisou de mais paciência para tolerar outro integrante do governo sem capacidade artística que se sentiu no direito de subir ao palco e usar o microfone.

O público perdeu a chance de levar para casa somente a beleza dos artistas. Por exemplo, a Orquestra Municipal começou seu espetáculo tocando de forma impecável a abertura da ópera O Guarani, na versão da Família Lima. Dentro do teatro a sensação era de que a música nos invadia e se espalhava pela cidade inteira, de Santa Isabel a Neves, levando sensibilidade e amor. O suspense, o medo e a urgência carregados na cadência do clássico de Carlos Gomes provocaram meu primeiro arrepio pelo corpo.

Composta por mais de cinquenta músicos, cada membro da Orquestra possui talento suficiente para, sozinho, proporcionar ao público uma experiência incrível. Com seus instrumentos ou com participações vocais memoráveis. Tocando e cantando juntos, deixaram todos de boca aberta e olhos vidrados, aplaudindo com força, várias vezes de pé.

O intenso drama na performance de O Fantasma da Ópera, apresentada com precisão rigorosa, causou em mim o segundo arrepio. Ninguém é capaz de compreender a cultura gonçalense até testemunhar o quanto a Orquestra eleva e diversifica a prática musical no município. Tudo feito com alegria, sorrisos e empolgação, sem nenhum sinal de cansaço, mesmo na segunda sessão. O grupo também trouxe clássicos da música popular nacional e internacional, tornados ainda mais belos pelos papéis interpretados por bailarinos.

Na maior surpresa da noite, crianças e adolescentes entraram em fila no teatro, tocando pandeiros e tambores enquanto se aproximavam do palco. O público batucou junto, com o coração e a palma da mão. Terceiro arrepio. No olhar de cada um deles havia uma certeza: se apresentar no Teatro Municipal de São Gonçalo era a realização mais especial de suas jovens carreiras. Grande acerto da Secretaria de Cultura, afinal, a juventude gonçalense não poderia faltar num momento tão extraordinário.

Sobre a atenção às crianças, alguém no Governo Nelson se lembrou de fazer o dever de casa obrigatório. No dia seguinte, alunos da rede municipal assistiram uma peça infantil. Principalmente por causa deles, e dos jovens que sorriram e batucaram, o Teatro está vivo.

Humilhada, a Cultura gonçalense foi sorteada no Instagram

A participação do povo de São Gonçalo na abertura do Teatro Municipal foi decidida através de um sorteio online. Só pôde participar do sorteio quem seguiu o perfil da Secretaria de Cultura no Instagram, que cresceu 60% em três dias, curtiu a postagem sobre o sorteio e marcou o artista que gostaria de ver se apresentando no teatro. Se a sua avó não sabe fazer isso, mesmo amando teatro, ficou de fora. Não é difícil perceber que as condições do sorteio estão longe da justiça, São Gonçalo tem mais de um milhão de habitantes e a Secretaria conquistou até agora menos de mil e trezentos seguidores. Além disso, quem comandou o sorteio, como um verdadeiro influenciador digital vazio e fútil caçando likes, foi um homem que, enquanto vereador ano passado, fez um projeto pedindo a extinção da Secretaria Municipal de Cultura, responsável pelo teatro. Hoje ele é o próprio secretário da pasta e controla aquilo que queria destruir (CNN Brasil). A cultura gonçalense e o Teatro Municipal não contam com gestores e métodos a sua altura e merecem mais respeito e dignidade.

A forma escolhida para distribuir 60 pares de ingressos é tão ruim que não deu certo na primeira tentativa e o sorteio terá que ser repetido hoje (30/08). Há ganhadores que não cumpriram os frágeis requisitos e foram desclassificados. Teve participante que colocou o nome do grande Altay Veloso, mas esqueceu de marcá-lo usando o código do perfil do artista no Instagram. Pronto, descumpriu as regras. E, surpreendentemente, quem comentasse mais vezes na postagem da Secretaria de Cultura tinha mais chances de ganhar, como afirmou o secretário durante a live do sorteio. Este fator desequilibra mais uma vez o evento e não estava previsto no regulamento, que também não passou de uma publicação sem seriedade no Instagram.

Mais de cinco anos depois do início das obras e um custo aproximado de R$ 14 milhões, uma presença fundamental não poderia faltar na abertura do teatro: a da classe artística e cultural. Mas, os principais grupos e movimentos de São Gonçalo, que tanto lutam pela cidade, não foram consultados sobre a abertura e nem convidados. Se houvesse diálogo, os ingressos para a abertura do Teatro, que contará com apresentação da Orquestra Municipal, não teriam sido tratados como figurinhas baratas de um álbum de futebol.

O patrimônio público gonçalense está sendo usado como arma de bajulação política e engajamento digital. Na única tentativa de declaração sobre cultura durante toda a live do sorteio, foi dito pelo apresentador que o objetivo é “trazer a cultura para o povo”, grosseria repetida por maus políticos que não entendem o que estão falando. Quem traz cultura são os jovens nas rodas espalhadas pela cidade e todos os artistas. O poder público deveria servir como ferramenta deles, explorada para o desenvolvimento municipal.