Marielle e Anderson continuam sem a resposta que merecem

Marielle e Anderson continuam sem resposta

Marielle Franco e Anderson Gomes foram executados há 115 dias. Quatro projéteis perfuraram a cabeça de Marielle e três entraram nas costas de Anderson (Nexo). O general Richard Nunes, secretário de Segurança do Rio de Janeiro, comentou na última quinta-feira que o caso “demanda sigilo”. O general está perdido e não tem nada melhor a dizer. A polícia não sabe quem matou. Não sabe quem mandou matar. Parte dos brasileiros não está nem interessada no crime. E Marielle e Anderson continuam sem a resposta que merecem.

Não há provas suficientes para prender ninguém. Thiago Macaco, suspeito de ter clonado o carro usado no atentado, foi preso sob a acusação de matar o assessor de um vereador do Rio. E caso um dia existam provas que apontem os assassinos de Marielle e Anderson, o Secretário de Segurança teme que essas provas sejam “desconstruídas”. Não é piada de mau gosto, é a falência de um Estado tomado pelo crime até nas instâncias mais altas do Poder, que o diga o ex-governador Sérgio Cabral.

Alegam as autoridades que a morte de Marielle teve motivação política e os assassinos agiram de maneira extremamente profissional, o que dificulta as investigações. As execuções aconteceram no dia 14 de março. Se em quatro meses a Segurança do Estado não foi capaz de esclarecer quem metralhou o carro de Marielle no meio da rua, na segunda maior capital do país, não é por excesso de profissionalismo dos assassinos. A polícia não conseguiu sequer identificar a origem do carro usado pelos criminosos (O Globo). O caso demanda competência.

Outras respostas são devidas, pelo bem da sociedade brasileira. Num país politicamente polarizado, as mortes de Marielle e Anderson dividiram ainda mais o Brasil. De um lado, aqueles que resolveram incentivar a luta política e social da qual Marielle participava, no outro, quem viu na execução da parlamentar apenas mais uma morte, um dado estatístico. Discordam da comoção que correu o mundo.

Somos forçados, pelo atentado contra a vereadora e também pelo atraso na prisão dos responsáveis, a compreender o que significam os direitos humanos, entre eles o direito à vida. Pelo direito de cada um ficar vivo, inclusive negros e pobres, Marielle lutava e foi executada.

Somos obrigados a lembrar que 71% dos assassinados no Brasil têm a mesma cor da pele de Marielle. O negro brasileiro é perseguido e morto em larga escala, ainda que bata ponto como parlamentar em uma Câmara Municipal depois de receber 46 mil votos. Negros de todas as profissões, policiais, bombeiros, vereadores, mas negros. A maioria de origem pobre, de baixo nível educacional. Mortos aos lotes de 3, 5, 7 ou mais de uma vez, como nas chacinas recentes nas cidades de Maricá e São Gonçalo.

Quando uma representante popular que milita contra a violência é assassinada, morremos todos nós. Além da solução do caso, é fundamental pelo menos nos unirmos diante da barbárie. É a resposta que Marielle, Anderson e o povo brasileiro merecem.

Guia para trabalhar com Tecnologia da Informação

Guia para trabalhar com Tecnologia da Informação

Esse artigo lista os passos principais para começar um negócio simples na área de Tecnologia da Informação (TI). Foi escrito pensando nos jovens de São Gonçalo, mas pode ser útil para pessoas de qualquer idade e cidade. Você não precisa ter nenhum conhecimento prévio em tecnologia, mas é fundamental ter acesso a um computador conectado à Internet para praticar.

O negócio mais simples que alguém pode montar na área de TI é criação de sites. Se você busca uma opção profissional e gosta de tecnologia, os passos são esses:

  1. Cadastre-se na plataforma WordPress.com. O plano mais básico é gratuito.
  2. Edite as páginas do seu site. O WordPress cria automaticamente algumas páginas e links. Edite as informações ou exclua o conteúdo desnecessário. Insira uma foto sua, informe seu email, telefone e escreva um pouco sobre você e aquilo que você vai vender: sites.
  3. Vá pra rua e ofereça seus serviços. Se você chegou até aqui, já é capaz de criar um site usando o WordPress. Muitas empresas pequenas, como barbearias, hamburguerias, esmalterias e lanchonetes ainda não têm site.
  4. Contrate um serviço de hospedagem. Quando conseguir seu primeiro cliente, recomendo contratar um serviço de hospedagem para ter acesso a mais recursos do WordPress e reduzir os custos do seu negócio. Eu uso os serviços do GoDaddy. O plano mais simples custa R$ 12,99 por mês.
  5. Escolha e registre um domínio. Converse com seu cliente e escolham juntos o nome do site dele. Um domínio com.br custa R$ 44,99 por ano através do GoDaddy e o serviço configura o domínio automaticamente pra você.
  6. Instale o WordPress na hospedagem. É a mesma plataforma que você usou no Passo 1, mas com hospedagem própria você terá acesso a mais recursos.
  7. Escolha um tema e cadastre as informações do cliente. Crie as páginas desejadas pelo cliente, geralmente as páginas de produtos, de serviços e de contato. Você pode incluir nelas texto, fotos, vídeos, arquivos e etc.
  8. Pronto! Acesse o domínio que você registrou, por exemplo nomedomeucliente.com.br, e você verá o site dele no ar. Não esqueça de avisar ao cliente. 🙂

A plataforma WordPress também suporta a criação de lojas virtuais através de um plugin fácil de usar chamado WooCommerce. Que tal pesquisar sobre ele no futuro e oferecer esse novo serviço aos seus clientes?

Em qualquer momento, antes mesmo de conseguir o primeiro cliente, você pode se formalizar como microempreendedor individual e contar com CNPJ, benefícios do INSS e outras facilidades. O custo é de R$ 52,70 por mês.

Os passos são resumidos e é natural ter dúvidas. Quanto cobrar do cliente, por exemplo. Use bastante o Google. Vai ser útil desenvolver essa habilidade para expandir seu negócio. Existem artigos em fóruns que guiam o iniciante até ele conseguir andar com as próprias pernas. Mas fique à vontade para entrar em contato comigo para esclarecer qualquer dúvida técnica. Meu email é mariolimajr@gmail.com. Boa sorte!

Quem conhece a alma brasileira rejeita a extrema direita

Um homem favorável à tortura e ao assassinato de outros brasileiros conta com pelo menos 17% das intenções de voto para Presidente da República (El País). Um ser humano sadio não apoiaria qualquer violação dos direitos universais. E nenhum brasileiro que tenha entendido a luta e a dor da formação do seu povo faria uso de violência contra ele mesmo.

Os direitos universais, claros desde o princípio da consciência humana, estão listados no site das Nações Unidas. Já a formação do povo brasileiro pode ser conhecida através de Darcy Ribeiro. O grande antropólogo estudou o desenvolvimento do nosso povo por mais de trinta anos antes de lançar o livro “O povo brasileiro: A formação e o sentido do Brasil“.

Darcy sabia da importância da precisão dos fatos e o valor dos detalhes históricos para pessoas que ainda não compreenderam o sangue que carregam nas veias e se sentem inferiores a outros povos. Tão inferiores que julgam o país como condenado a um futuro de pobreza e corrupção. Tão desgraçados que, apesar de toda a barbárie dos três séculos e meio de escravidão, aplaudem linchamentos em praça pública, defendem a redução da maioridade penal, o fim das bolsas de assistência aos pobres e outros sadismos.

Na opinião de Darcy, de todos os povos do mundo o brasileiro é o mais especial. Definitivamente não é a opinião de um amador, mas de alguém que dedicou a vida à questão indígena, à educação e ao Brasil como problema. Seu livro esclarece o principal aspecto que marca nosso povo: sua exclusiva riqueza cultural e étnica. Não há a mesma mistura harmoniosa de três raças no mundo a partir do índio, do africano e do europeu. Tendo a exuberância completa da natureza como berço.

Mas o brasileiro não foi formado sem sofrimento (e as causas dele ainda existem). Os séculos de colonização agiram como “moinhos de gastar gente”. Estima-se que seis milhões de negros tenham sido mortos até 1850 e os índios foram reduzidos de cinco milhões para menos de 900 mil atualmente. Genocídios tão grandes quanto o extermínio de judeus no Holocausto.

Por que, ao invés de defendermos a Educação acima e antes de qualquer coisa, pregaríamos o porte de armas, a pena de morte e o assassinato dentro dos presídios para um povo que tanto sofreu? Ao invés da reparação judicial de crimes históricos, zombaríamos de povos violados no passado? Sobre o Massacre do Carandiru, onde 111 pessoas foram mortas, Jair Bolsonaro tomou a palavra na Câmara Federal e disse que “tinham que ter morrido mais de mil”. Sobre a visita que fez a uma comunidade de quilombolas, o deputado afirmou durante uma palestra para trezentas pessoas:

– O afrodescendente mais leve pesava sete arrobas. Nem para procriador ele serve mais – além de outras declarações preconceituosas.

Bolsonaro foi processado pelo Ministério Público Federal ano passado e há dois dias a Procuradoria Geral da República defendeu, através de parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal, o recebimento de denúncia contra ele por racismo praticado contra quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs, grupos da sociedade mais afetados pela pobreza e violência. Movida pelo ódio e pelo desprezo em relação à diversidade brasileira, a extrema direita só se preocupa com o próprio desenvolvimento e segurança.

O destino nacional vislumbrado por Darcy é infinitamente mais belo do que imaginar a ignorância e o despotismo de Bolsonaro como Presidente da República. O deputado já defendeu inclusive o uso político da força, em vez da democracia, para um país que acumula tantos golpes.

Segundo Darcy, graças à mestiçagem precisa, os brasileiros são um dos povos mais homogêneos linguística e culturalmente e também um dos mais integrados socialmente da Terra. Um gênero humano que nunca existiu antes. A maior das nações neolatinas pela magnitude populacional e criatividade artística, que agora deve usar a mesma criatividade no domínio da tecnologia para conquistar o progresso autossustentado na futura civilização.