Saia do engarrafamento e vá de bicicleta

Se você mora em São Gonçalo mas trabalha em outra cidade, certamente não aguenta mais o trânsito infernal que enfrenta todos os dias. Por que não vai de bicicleta? É mais fácil do que imagina.

Após 12 anos sofrendo com escassez de transporte e engarrafamentos desesperadores em direção ao trabalho no Rio de Janeiro, decidi tentar percorrer parte do trajeto de bicicleta. E consegui. O ditado que diz que você não conhece seus limites até desafiar a si mesmo é verdadeiro.

Comprei uma bicicleta adequada a minha altura e com rodas grandes, aro 700, que facilitam a superação de longas distâncias, e numa tarde de sábado, simulando minha ida ao trabalho, percorri sem grandes esforços 18 km entre Alcântara e a estação das barcas no centro de Niterói. Como não tenho o hábito de praticar exercícios físicos, não esperava chegar ao destino na primeira tentativa, levando exatamente o mesmo tempo (1 hora) se estivesse de ônibus ou van. Fui ainda mais “longe”: após rápida parada para tomar um suco de laranja e tirar orgulhosa selfie com minha bicicleta nova e a Baía de Guanabara ao fundo, pedalei mais 18 km de volta para Alcântara.

No trânsito recebi mais demonstrações de gentileza do que ignorância, assim não senti riscos contra minha vida. Ciclistas me cumprimentaram no trajeto, motoristas sinalizaram antes de me ultrapassar e mantiveram distância segura. O vento no rosto que acompanhou as descidas foi outro prazer inesperado, como o agradável cheiro de comida vindo dos restaurantes. Jamais adivinharia que podia me locomover sem estresse, me exercitando e ainda sentindo cheiro de comida.

O mínimo necessário para trocar os engarrafamentos pela liberdade da bicicleta é sair cedo de casa (quando o sol está fraco), água, camisa sobressalente e ferramentas básicas para qualquer emergência. Recomenda-se pedalar na pista de baixa velocidade, jamais na contramão, e usar itens de segurança como luvas, capacete e refletores. O caminho mais amigável que encontrei com destino a Niterói passa pela Avenida Maricá e pelas ruas Dr. March e Luís Palmier, graças ao menor volume de carros e quebra-molas que exigem velocidade reduzida.

Ir de bicicleta é uma ótima forma de se exercitar e protestar por transporte público de qualidade, direito constitucional.

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