O informe da Anistia Internacional sobre a situação dos direitos humanos no mundo, divulgado dia 23 de fevereiro, obriga aos brasileiros a readmitir que vivem sob um regime secular socialmente desigual, violento e preconceituoso. Presente em mais de 150 países, a proposta da organização não governamental é clara: combater milícias e órgãos do Estado que agridem fatalmente a liberdade, cidadania e integridade física de grupos específicos: pobres, negros, índios, LGBTs e outras minorias.

Nas quase cinco páginas dedicadas ao Brasil (menos criminoso, o Canadá mereceu apenas duas), a Anistia Internacional destacou o alto número de homicídios de jovens negros, antiga vergonha nacional. Em 2014 a chance de um jovem negro ser assassinado no país foi 2,5 vezes maior que a do branco, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que apontou 58 mil assassinatos no mesmo ano. Outro ponto destacado foi a violência das forças oficiais de segurança, refletida nos maus tratos contra a população carcerária, vivendo em condições desumanas, e nas execuções extrajudiciais, como o assassinato de 5 cariocas com idades entre 16 e 25 anos, negros, cometido por policiais militares do Rio de Janeiro.

Desde chefes de família de classe média a senadores e deputados federais, parte significativa da sociedade não compreende que o terror tem alvos preferidos, entre eles crianças e adolescentes moradores de comunidades pobres que evitam até serem vistos na rua sem camisa pela Polícia, pois temem serem confundidos com bandidos. É inadmissível a perpetuação deste preconceito brutal ao longo da História, gerador de fobias sociais profundas, por isso cresce a importância do informe da Anistia, publicado incansavelmente há 54 anos.

A aprovação pelo Congresso do Projeto de Lei 2016/15, conhecido como PL Antiterrorismo, foi o último ato do Estado contra os brasileiros sem direito à moradia digna, vítimas da impunidade e reclusos nas periferias e favelas. O texto amplo, vago do projeto permite que esses cidadãos sejam enquadrados como terroristas caso protestem contra os abusos sofridos, um ataque à liberdade de manifestação.

Se de um lado existem apoiadores de medidas retrógradas, gente que não se incomoda com a pobreza e a injustiça ao redor castigando os mesmos brasileiros desde o período colonial, do lado oposto há indivíduos e organizações que defendem a mistura perfeita de raças que torna o Brasil um país extraordinário. Entre estes encontramos o Progresso.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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1 comentário

  1. O grande problema no Brasil é primeiramente espiritual. Segundo, desigualdade social (salário baixíssimo): péssima moradia, má alimentação, problema familiar, discriminações, revolta. Saúde péssima, mão escrava.

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