Encontrei em São Gonçalo um lugar melhor pra viver

Encontrei em São Gonçalo um lugar melhor pra viver

Foto: Romario Regis

Uma cidade é feita a partir das histórias dos seus moradores. Em São Gonçalo pode parecer que só existem histórias de raiva e tristeza e de gente que vai embora – circulam nas redes sociais orientações para encontrar um lugar mais seguro. A minha história é de felicidade e tenho certeza que há milhares de outras por aí.

Eu lembro do meu primeiro dia em solo gonçalense, há 29 anos atrás. Antes do caminhão de mudanças que vinha do Rio de Janeiro parar no meu novo endereço, percebi que um garoto acenava pra mim por cima do muro da casa dele. Surpreso, olhei aquela cena da janela do caminhão e não respondi aos acenos. Hoje entendo que a empolgação e a afabilidade gonçalenses são maiores do que as cariocas.

Na rua onde moro até hoje tinha um campinho de várzea a poucos metros da minha casa. Minha infância foi chegar da escola, trocar de roupa, almoçar e correr de barriga cheia para o campinho, debaixo do sol do início da tarde. Se chovesse, o futebol não parava. Voltava pra casa ao anoitecer, com as canelas sujas de areia e cheias de hematomas das pancadas que levava (mas estava longe de ser um Vinicius Jr. ou Neymar).

Na adolescência pedalava com os moleques por quase todos os bairros do 2º e 3º distritos. Nessa época, embaixo do viaduto de Alcântara aconteceu meu primeiro beijo de verdade. Uma vez faltou pouco pra eu ser atropelado pelo diabo verde da viação Santa Izabel (ônibus que só circulava acima do limite de velocidade). O dia era encerrado jogando fliperama com guaraná e biscoito no bar, tudo comprado com a união das moedas de cada um.

Em São Gonçalo encontrei a mulher da minha vida e meu filho nasceu no bairro Nova Cidade, gonçalense legítimo. Durante o Governo Mulim, ele dizia que seria prefeito. Depois veio José Luiz Nanci, outro fracasso, e meu filho, que tem 7 anos, não fala mais em Política.

Depois que comecei a praticar o sonho de escrever, conheci uma São Gonçalo inteiramente diferente, feita de pessoas comuns, estudiosos, artistas, militantes e jornalistas que acreditam no município e têm uma relação de grande intimidade com ele. Visitei praças, igrejas, projetos e tudo o que eu achava que São Gonçalo não tinha.

Meu pai se mudou para São Gonçalo já adulto, eu cheguei criança e meu filho nasceu aqui. Quando ando com eles na Rua da Feira a sensação é a mesma há quase três décadas: não dá pra ver e entender aquilo tudo, o excesso de coisas, de gente e de cores chega a causar ansiedade.

Talvez São Gonçalo tenha mais problemas do que alegrias. Falta tudo na cidade, mas poucas vezes nos perguntamos o que podemos fazer por ela. Podemos começar resgatando a própria história, valorizando aquilo que deu certo e corrigindo o restante do caminho.

O lema do Governo Nanci nasceu fracassado

O lema do Governo Nanci nasceu fracassado

O lema de um Governo deve indicar o caminho que ele pretende construir para o futuro da sociedade. O lema do Governo Nanci é “Cuidando dos gonçalenses”. Indica que o futuro que José Luiz Nanci pretende construir é aquele em que ele e sua família ficam no Poder, curtindo salários de cinco dígitos, e o povo de São Gonçalo permanece deitado na pobreza, imóvel e de boca aberta, recebendo seus cuidados.

Embora o país não tenha se transformado tanto quanto gostaríamos, “Brasil, pátria educadora” foi o lema do segundo mandato de Dilma Rousseff. A pátria e sua missão vêm em primeiro lugar nesse lema e a figura do Governo Federal não aparece, como deve ser. Em São Gonçalo, o Governo Nanci é o sujeito. Não há futuro digno para um povo que não sabe cuidar de si mesmo e depende de um governo. Não há futuro nem mesmo para o prefeito Nanci. Um governo tão limitado, incapaz de pensar no melhor para a população, tende a morrer e ser esquecido depois de sugar o dinheiro público.

Existe um problema grave na política gonçalense que também afeta o Legislativo. Os políticos da cidade agem como se a população fosse composta por ignorantes e carentes de atenção e afeto. A principal ação parlamentar é acompanhar obras de infraestrutura e publicar fotos no Facebook, ao invés de legislar.

Colocar a motoniveladora na frente da Prefeitura como peça de marketing foi outro sinal de tremenda limitação governamental. Publicar no site da Prefeitura o planejamento criado pelo governo para aumentar as notas gonçalenses no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica seria a propaganda ideal. Mas não há planejamento para São Gonçalo há pelo menos algumas décadas. Previsões e intenções de longo prazo não são comunicadas à população.

Quando aceitou esse lema, Nanci viu em si mesmo um pai protetor e um povo frágil. Além de estúpido, isso tudo é uma farsa. Nanci não cuida dos meninos de 8 anos de idade que passam o dia implorando esmola como flanelinhas no estacionamento entre o lixão e a Favela da Central, no Raul Veiga.

O Governo Municipal não tem identidade ou foco, não tem rumo, por isso não apresenta nenhuma proposta que possa transformar a cidade. Ninguém no Executivo é capaz de responder qual aspecto do povo e do município de São Gonçalo o Governo Nanci mais valoriza e procura desenvolver.

São Gonçalo é conhecida pela sujeira nas ruas. Um governo inteligente usaria isso a seu favor, transformaria São Gonçalo no polo de reciclagem que o município tem potencial para ser.

Problemas simples que o Governo Nanci não resolve

Problemas simples que o Governo Nanci não resolve

Os moradores de uma rua fechada com portão e guarita, no bairro Vila Três, abriam o portão, atravessavam a rua e jogavam seu lixo na calçada, em frente a um cruzamento de veículos. Fizeram isso todos os dias durante anos. Ratos se alimentavam do lixo, de dia e de noite, e voltavam correndo para o valão que corta o bairro.

Há menos de dois meses a Prefeitura de São Gonçalo colocou uma placa informando que é proibido jogar lixo no local e disponibilizou um telefone da Secretaria de Meio Ambiente para denúncias, chamado de WhatsApp Verde. O problema foi resolvido! Agora os moradores da rua deixam seu lixo dentro de coletores colocados na portaria. Quando o caminhão da coleta passa, o portão é aberto e o lixo é recolhido. A calçada está limpa e o pedestre pode circular sem tropeçar nos ratos.

Essa atitude mostra que existe no Governo inteligência suficiente para resolver pelo menos os problemas simples do município. Eles não são resolvidos por desleixo. Desde o dia 4 de junho, por exemplo, nenhum funcionário da Prefeitura responde às mensagens enviadas para o WhatsApp Verde.

No início do Governo Nanci as ruas do centro de Alcântara eram varridas aos domingos. Eu passava pelo bairro à tarde e não via lixo espalhado pela sarjeta. A sensação era de dignidade e respeito mútuo entre a população, a cidade e seus governantes. O bairro voltou a ficar largado e hoje está imundo. Por toda a cidade as ruas não são varridas nem o lixo é recolhido com a frequência necessária.

Ainda em Alcântara, embaixo do viaduto tem um mato gigante que está invadindo a calçada. Quando a multidão que circula no bairro passa pelo local, precisa sair da calçada e se arriscar na rua Manoel João Gonçalves pra não bater com a cara no matagal. O mesmo viaduto está cheio de placas e faixas ilegais, algumas de grandes empresas como o supermercado Atacadão.

Não existem problemas mais simples que esses, resolvidos com uma enxada e uma faca, ou respondendo uma mensagem pelo WhatsApp. Muitos problemas de São Gonçalo seriam rapidamente resolvidos com amor e cuidado pela coisa pública. Como o sistema de som clandestino que funciona a poucos metros da Prefeitura e publica anúncios comerciais o dia inteiro. Poucas cidades do Brasil têm o ar e o solo tão poluídos.

O atendimento à população é uma deficiência que poderia ser resolvida com  softwares gratuitos. Quando abre uma reclamação na Ouvidoria, nunca mais o cidadão recebe notícias sobre nela. O site da Prefeitura é confuso e incompleto, chega a ser amador. Ao clicar no link para saber informações sobre a coleta de lixo, o usuário é direcionado para o site da empresa que faz a coleta, numa tentativa de transferir a responsabilidade, e não encontra a informação desejada.

A própria Prefeitura cria problemas para si mesma ou deixa para a próxima gestão. Quando funcionários precisam quebrar o asfalto ou a calçada pra fazer um reparo, não raro deixam o buraco aberto. Obra iniciada no governo anterior, já são quase 128 anos de espera para ver o primeiro teatro municipal gonçalense funcionando. Pagar a dívida de R$ 1,3 milhões com a construtora e concluir a instalação elétrica não é mais complicado do que captar R$ 13,6 milhões para erguer o prédio, construído em 2016.