Operação Cidade Limpa fracassou

Último sopro de esperança pelo fim da sujeira nas ruas de São Gonçalo, a Operação Cidade Limpa fracassou por três simples razões: não conscientizou a população, não inovou a coleta de lixo e suas regras básicas são frouxas.

Dias atrás vi um funcionário da Prefeitura jogar um copinho de café no chão e empurrá-lo com o pé para junto do meio-fio, tentando amenizar a imundície resultante de sua pobreza de espírito. Se o governo não convence seus próprios funcionários a abandonar o péssimo hábito de jogar lixo na rua, e se o cuidado com o município não é levado a sério nos corredores da Prefeitura, dificilmente teremos uma cidade limpa; espera-se que os servidores públicos incentivem a população a descartar corretamente o lixo, não que sejam os primeiros a poluir a cidade.

Além da falta de conscientização popular, a Operação Cidade Limpa pecou ao se concentrar apenas no combate ao despejo irregular. É, obviamente, importantíssimo recuperar a cidade do grande depósito de lixo a céu aberto que ela se tornou, no entanto, a tarefa seria sensivelmente mais plausível se a Prefeitura apresentasse aos cidadãos uma proposta clara do que fazer com seu lixo e, uma vez produzido, não há nada mais apropriado a fazer com o lixo do que reciclá-lo.

Do alto de sua extrema limitação, as cabeças pensantes do governo Mulim não se lembraram de que o mundo inteiro está preocupado com a recuperação do meio ambiente através da reciclagem, havendo iniciativas na Europa e nos Estados Unidos que vão ainda mais longe e pregam a geração de quantidades mínimas de lixo por pessoa. Alguns dirão que a população daqui não é educada o suficiente para reciclar, ou que o investimento seria alto demais para implantar um programa com este objetivo – puro engano. Somos 1 milhão de pessoas em pleno século 21, totalmente capazes de separar o lixo úmido do material reciclável, como qualquer criança faria quando bem orientada. E como a cidade já conta com cooperativas privadas de reciclagem, a maior preocupação da Prefeitura seria coletar o material.

Os comerciantes, por sua vez, deveriam ser obrigados por lei a separar seu lixo e encaminhar a parte reciclável às cooperativas. Mas, na prática, o governo “abre as pernas” para eles e oficialmente permite que depositem o lixo na calçada a partir das 18h, na mesma calçada onde a população que volta do trabalho caminha para chegar em casa. Absurdo imperdoável! Que algum funcionário do estabelecimento entregue diretamente ao caminhão da coleta, nas mãos do gari, o lixo oriundo de suas operações.

Se a Prefeitura pensasse em soluções à altura da complexidade de São Gonçalo, o lema da Operação Cidade Limpa seria “Recicle” em vez do insuficiente e ultrapassado “Não jogue lixo na rua”. Este governo precisa ser empurrado.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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