Sabemos que o governo Mulim trouxe para São Gonçalo mais lixo, escuridão, corrupção e mentira. No conforto de nossas casas, entretanto, não percebemos o quanto ele é desumano. As famílias desabrigadas pelas chuvas de março sabem. Elas sentem, na carne, o tamanho da omissão do prefeito e dos cavaleiros da hipocrisia (ou secretários de governo).

Centenas de pessoas perderam suas casas, seus móveis e pertences há três meses, quando 38 bairros da cidade foram alagados. Desesperadas, crianças, idosos e doentes crônicos inclusive buscaram abrigo em dois condomínios desabitados do programa “Minha Casa, Minha Vida” no Jóquei. Permaneceram no local sem água encanada nem energia elétrica por quase dois meses, se alimentando através de doações, sem qualquer assistência médica ou social do governo municipal.

Expulsas dos apartamentos por ordem judicial, sob a condição de que a Prefeitura forneceria abrigo apropriado, cerca de 400 pessoas, segundo os desabrigados, foram transferidas para o CIEP Porto do Rosa. Os documentos e objetos que conseguiram juntar após o alagamento foram jogados num caminhão para a transferência e jamais vistos novamente. Algo impensável, abominável e o sofrimento aumentaria: localizado em região tomada pelo tráfico de drogas, encontraram o CIEP crivado de balas, sem janelas e com vazamentos na cisterna. Dormindo sobre o chão frio, entre eles 20 portadores de necessidades especiais, muitos adoeceram.

Após 30 dias vivendo precariamente no CIEP Porto do Rosa, mês passado sofreram a segunda remoção à força. Desta vez os desabrigados foram espalhados entre o Polo de Assistência Social de Vista Alegre e igrejas que ofereceram ajuda. Alguns homens dormiram na calçada por falta de espaço para todos. As crianças, longe da escola desde março, incapazes de entender o motivo de tantas mudanças, perguntam aos pais quando voltarão para casa. “É uma situação de guerra”, nas palavras de um desabrigado. E não temos um governo interessado em resolver a questão.

Publicamente a Prefeitura tem a audácia de dizer que existem “desalojados, não desabrigados”. Faz joguinhos de marketing com as vidas de centenas de pessoas, desrespeitadas enquanto seres humanos. Estão sem água e comida e convivendo com a sujeira porque a máquina pública foi empregada em ações ilegais de propaganda, como faixas penduradas em postes de luz e muretas, visando as próximas eleições.

Gonçalenses perderam tudo o que possuíam e continuam sofrendo. E a grande preocupação do governo Mulim é com a própria imagem.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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