O artigo I da Declaração Universal dos Direitos Humanos determina: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Quarenta e oito países, inclusive o Brasil, no dia 10 de dezembro de 1948 aprovaram o documento, o mais traduzido do mundo, presente em aproximadamente 360 idiomas. Não vivemos, entretanto, em uma comunidade internacional socialmente justa. O ideal compartilhado entre as nações de liberdade e igualdade, estabelecido na Declaração há sessenta e sete anos, foi incapaz de garantir condições apropriadas de existência para todos os povos.

Logo após o nascimento milhares de seres humanos são diariamente submetidos à desnutrição e atacados pela violência da guerra. Enquanto existem nações economicamente desenvolvidas onde esses males foram praticamente extintos, outras continuam afundadas na pobreza e em conflitos civis. Desigualdade incompatível com a natureza solidária humana.

Sendo a dignidade indiscutivelmente um direito universal, faltou às nações, unidas, rigidamente criminalizar o oposto: a má distribuição de renda que provoca fome, analfabetismo, desabrigo, insegurança e morte precoce por doenças perfeitamente curáveis.

Segundo estudo da organização não-governamental britânica Oxfam, 1% da população global detém a mesma riqueza dos 99% restantes. A concentração de renda é tão grande que as 62 pessoas mais ricas do mundo possuem mais riqueza (aproximadamente 1,8 trilhão de doláres) do que os 50% mais pobres.

Fortunas concentradas nas mãos de poucos indivíduos e populações marginalizadas não podem coexistir. Na mesma cidade, país ou planeta. Ver a desigualdade social como crime contra a Humanidade, além de aperfeiçoar o discurso em defesa dos direitos comuns, significa alterar toda legislação tributária que a viabiliza e restringir indivíduos que a estimulam.

Bem conhecidos pelo povo brasileiro, empresários e políticos corruptos que desviam recursos financeiros que seriam empregados nas áreas mais sensíveis da sociedade, como saúde e moradia, são tão criminosos quanto aqueles que usam forças armadas para oprimir, matar e se manter no poder. Ao lado de Chefes de Estado que deliberadamente privam parcelas da população de direitos básicos, entre eles saneamento e educação, deveriam ser repreendidos, julgados e punidos pelo Tribunal Penal Internacional.

Alguns países da América, Europa e Ásia atingiram boas condições gerais de vida tendo o lucro como objetivo do trabalho, consumindo irresponsavelmente os recursos naturais julgados necessários. Se, de forma sustentável, a força tecnológica atual fosse exclusivamente empregada na promoção do progresso social e da igualdade de oportunidades, valores compartilhados hoje por 193 países através da Organização das Nações Unidas, que tipo de mundo teríamos?

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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