Os eleitores gonçalenses podem ser divididos em três grupos: filiados a algum partido político (9%, de acordo com o TSE), politizados não filiados (parte do corpo da pirâmide) e, por último, eleitores completamente despolitizados (não filiados, base da população em idade eleitoral composta principalmente por analfabetos funcionais). As proporções desta divisão pouco variam ao longo do tempo e são as principais responsáveis pela configuração política do município a cada quatro anos.

Politizado é o indivíduo consciente de seus direitos e deveres políticos, aquele que compreende como “todo poder emana do povo” e alcança as esferas Legislativa e Executiva. Em São Gonçalo há indivíduos tão despolitizados exercendo cargos públicos que trabalham em benefício próprio e menosprezam a falta de transporte, saúde e lazer suportada pelo cidadão comum. Outro exemplo surpreendente são pessoas que se manifestam nas redes sociais pedindo o retorno à Prefeitura do demônio de cabelo vermelho. Ignorantes políticos, desconhecem a extensa lista de crimes cometidos pelo capeta na sua gestão. Daí a importância da educação cultural de um povo, aquela que baseada na História ensina a ver e interpretar os fatos, a mesma que pajés transmitem naturalmente à tribo e poucas escolas gonçalenses o fazem.

Faltando menos de 8 meses para as eleições municipais, a maior chance de mudanças profundas no ciclo, os dois menores grupos, filiados e politizados, têm algo fundamental em comum: ambos odeiam a administração pública comandada pelo prefeito Neilton Mulim. O terceiro e maior grupo, no entanto, de eleitores despolitizados, atribui certo louvor a Mulim graças aos projetos mantidos com verbas federais, como o programa Rua Nova. Ou apenas não têm qualquer opinião formada e geralmente votam no candidato mais presente na memória. Se os dois grupos com mais acesso à informação mostrarem aos despolitizados o desprezo com o qual a cidade é tratada, a chance de renovação pode ser aproveitada.

São Gonçalo é uma cidade moribunda, as aves de rapina do Legislativo e do Executivo aguardam as eleições de outubro para avançar sobre sua carne podre. Quando faz sol o povo padece nas filas enormes dos pontos de ônibus descobertos, em meio ao lixo e ao esgoto, e depois definha nos ônibus lotados sem ar-condicionado. Quando chove forte bairros inteiros se retraem, móveis, lares e vidas são destruídos. Os vermes políticos contam com a paralisia da população para perpetuar o banquete onde nós somos o prato principal. Querem repetir em 2016 o ritual de falsas promessas que conquista os incautos realizado em 2012. Sair da inércia é tão simples quanto defender opiniões publicamente, nas ruas.

* A quantidade total de eleitores e de filiados é fornecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A quantidade de politizados e despolitizados foi estimada com base na pesquisa de interesse por política divulgada em 2014 pela Confederação Nacional da Indústria e Ibope.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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