Má administração atinge educação municipal

Faltam professores, livros, uniformes, merenda e infraestrutura básica para aprendizagem nas escolas municipais gonçalenses. Não surpreende a circulação pelas ruas da cidade de jovens e adultos sem qualquer noção de cidadania, extremamente limitados profissionalmente.

“O que a Prefeitura fez com o dinheiro público destinado a Educação?”, perguntamos diante deste mar de problemas. Tanto quanto os demais setores públicos, como Saúde e Transportes, a Educação é vítima do vício e do atraso que dominam a administração municipal e levam o governo a gastar demais onde não deve, em vez de investir na solução de problemas urgentes. Desta vez foram gastos, sem licitação, R$ 12 milhões para implantação de um programa de leitura nas escolas, enquanto nem biblioteca elas têm.

Fornecido pela editora Melhoramentos, o programa se chama Magia de Ler e já sugou as receitas de aproximadamente 20 cidades do país, entre elas Búzios e Niterói, bem conhecidas pelo atual secretário de educação, Claudio Mendonça, onde também era responsável pela pasta. O Magia de Ler é tão polêmico que até os educadores, representados pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), consideram abusivo o valor gasto, pois, além de não ter havido consulta ao mercado pelo menor preço, há escolas em São Gonçalo que não oferecem aos alunos condições mínimas para leitura, onde o calor é insuportável no verão.

Outro exemplo de descaso, a creche Formando Vidas, no bairro Mutuaguaçu, está interditada desde as chuvas do Carnaval, mas para a Prefeitura importa mais enriquecer a Melhoramentos do que cuidar das crianças da cidade. Leva a crer que o desprezo por São Gonçalo que encontramos nas ruas tem origem no número 100, da Feliciano Sodré.

Espero que o I Salão Municipal do Livro, que acontece a partir do dia 10/03, seja um marco na história da educação gonçalense; não devido a presença de autores consagrados, como Zuenir Ventura, mas pelo comparecimento em massa da população no evento, demonstrando que deseja ler, aprender e se desenvolver intelectualmente, em vez de morrer como capacho da má administração municipal.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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