Eles não amam São Gonçalo

Restou uma desculpa àqueles que defendem a gestão tenebrosa de Neilton Mulim, prefeito de São Gonçalo: a crise econômica nacional. De acordo com esses defensores, em sua maioria sustentados pelo governo, Mulim faz “tudo o que pode”, com os “poucos recursos que dispõe”. Mentira. A administração pública gasta anualmente mais de R$ 1,2 bilhão e ainda deixa faltar lixeiras e lâmpadas nos postes. Há desperdício, aquisições inúteis. Mas não existe amor pela cidade.

Tão desagradável quanto o lixo fétido espalhado nas esquinas, a propaganda irregular é um câncer, perfeitamente curável, do qual São Gonçalo não consegue se livrar. Enquanto quinze guardas municipais formam roda e conversam distraidamente embaixo do viaduto de Alcântara, acima de suas cabeças empresas penduram faixas com arame na mureta do viaduto. A falta de dinheiro é a causa? Não. É a indisciplina, o desprezo pela ordem, desde o gabinete do prefeito.

Após às 17 horas o comércio criminoso, desorganizado e sujo é relevado. A Prefeitura não impedirá se você estender uma toalha no chão, enfileirar seus produtos falsificados e oferecê-los aos gritos. Talvez algum fiscal de posturas venha pedir uma graninha, no máximo. Culpa do aumento da inflação? Não, se chama desonestidade generalizada.

Agora a pior determinação municipal, a mais burra, sinal marcante da estupidez crônica que dirige o governo: na cidade inteira a Prefeitura permite, oficialmente, que comerciantes depositem lixo na calçada após às 18 horas. Panfletos foram impressos e distribuídos com a autorização, exigindo, apenas, que o lixo esteja ensacado. O problema é escassez de verbas? Não. Falta respeito pelo trabalhador que volta para casa neste horário, desviando da podridão. Se desejasse limpeza, o governo exigiria a separação do material reciclável e entrega daquilo que não pode ser reaproveitado diretamente ao caminhão da coleta.

Quem carrega São Gonçalo nas costas, derramando suor e sangue, são algumas dezenas de ativistas políticos, culturais e gestores de projetos sociais que aproximam a música, o futebol, os livros e as artes da população, sem receber 1 centavo do Poder Executivo. Honestidade, responsabilidade e disciplina são consequências naturais do carinho que sentem pelo povo e pelo território. Tal dedicação jamais veremos em inúmeros vereadores, secretários e assessores que já pensam em se candidatar ano que vem. Desistam. O amor é importante, porra, e não pode ser ensinado.

2 comentários em “Eles não amam São Gonçalo

  1. Mais uma bela observação do nosso cotidiano. Nunca entendi como pessoas colocam essas faixas, cartazes cheios de telefone e a prefeitura não consegue impedi-los de emporcalhar a cidade. O caos urbano é a prova da preguiça de se tentar fazer uma cidade mais habitável. Não me conformo como a prefeitura não consegue fazer com que a Ampla reduza o número absurdo de postes muitos tortos e que fatalmente vão causar transtornos senão um acidente fatal ou a Oi com seus fios que quase encostam no chão. Mais uma vez parabéns pelo texto.

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