Ocupa insistentemente a Presidência da República um negociante incontestável de medidas que pervertem a ordem moral do Estado brasileiro. Tão íntimo da prática criminosa que aconselha, na própria casa, empresários corruptos e poderosos mediante troca de favores. Ao cidadão brasileiro não resta alternativa senão democraticamente combater este governo vil enquanto Temer estiver vivo no Palácio do Planalto; negá-lo até a chegada de um presidente honesto.

Da conversa com Joesley Batista, dono da indústria de alimentos JBS, a frase de Temer mais destacada pela imprensa continua sendo “Tem que manter isso, viu?”. Temer alega que recomendava o bom relacionamento entre Joesley e Eduardo Cunha, como um atencioso diretor escolar orientaria dois adolescentes instáveis do Ensino Médio. Apelo desesperado à mais pura ingenuidade. Cunha está preso desde outubro passado e foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Joesley, por sua vez, admitiu publicamente que realizou “pagamentos indevidos a agentes públicos”. Não há ingênuos entre os envolvidos. A interpretação de que Temer incentivava o pagamento de mesada pelo silêncio do ex-deputado, entre outras razões, provocou abertura de inquérito pelo Supremo Tribunal Federal.

Graças às gravações, surge, enfim, um presidente comprovadamente corrupto desde que o imaginário popular, alimentado por jornais e revistas, criou tal expectativa há mais de dez anos. O inquérito contra Temer – que se tornou chefe do Executivo não pela força do voto – apura corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça.

O áudio revela uma série de promiscuidades. Pisando em 200 milhões de brasileiros, Temer assume posição superior na hierarquia da conversa sórdida. É o especialista, aguarda ser consultado. Bem representando o papel leviano de si mesmo que combinou com a Justiça, Joesley indaga, se explica, fala mais que Temer. Esbanjam intimidade.

– Faz tempo que não te vejo – diz Joesley no início do diálogo.

– Você emagreceu – Temer demonstra carinho.

– Precisando de alguma coisa, me fala – oferece o empresário aquilo que deve ser o melhor produto da JBS, propina. Temer também fica à disposição, através de um intermediário, o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures.

A defesa presidencial quer atribuir a Joesley a imagem de um falastrão que incomodou o presidente tarde da noite a fim de desabafar problemas pessoais. Engodo. A conversa visava obstruir investigações da Justiça e citava nomeações para ministérios e órgãos públicos importantes como movimentos sobre um tabuleiro de xadrez. Xadrez da corrupção nacional.

Claramente a intenção era calar Cunha. Não discutiram caridade à família do preso, como Temer insinuou em um dos pronunciamentos à Nação.

Joesley levou um gravador porque não devia fidelidade alguma ao homem à sua frente, tão larápio quanto, o presidente da República. De um lado o bilionário caipira do Mal. Do outro, a maior referência em exercício no quesito lucro ilegal usando a máquina pública.

Temer adota um tom lânguido ao longo da conversa, perverso e propositalmente baixo. Cochichamos fazendo amor e negócios escusos.

Denunciar Temer, flagrado no crime, é o começo. A OAB decidiu entrar na fila daqueles que pediram o impeachment do presidente. O PSB saiu da base do governo, outros partidos discutem fazer o mesmo. Dois ministros entregaram seus cargos.

A falta de confiança na classe política segue altíssima porque o brasileiro não sabe mais como lidar com a sujeira dos seus representantes. Deixemos de sustentar o Governo Federal. Que vantagem queremos dele? Que um criminoso recupere o lucro econômico através de reformas que sangram o trabalhador?

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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