São Gonçalo é fruto da má administração

Como qualquer gonçalense, às vezes me pergunto quais circunstâncias levaram São Gonçalo a ser uma cidade tão desorganizada, suja e pobre em qualidade de vida. Custa acreditar na simplicidade da resposta, embora não exista outra mais precisa: São Gonçalo é mal administrada.

Ao longo da história confiamos o poder a equipes que se diziam competentes, mas a realidade mostra que somos enganados há bastante tempo. Erros são repetidos entre governos que se sucedem e nada na cidade é criado de forma apropriada, em favor daqueles que a habitam. Entre outros exemplos de corrupção e descaso, praças são transformadas em espaço inútil ou são vendidas para construção de shoppings, a Ouvidoria da Prefeitura não responde às reclamações do cidadão, carteiras escolares são jogadas no lixo em vez de reformadas e comércio ilegal e estacionamento irregular são sistematicamente incentivados e explorados pelo setor público.

Se existiu algum desenvolvimento em São Gonçalo até hoje, ele beneficiou apenas donos de indústrias e empresários, como no período em que foi chamada de “Manchester fluminense” graças ao forte desenvolvimento industrial. O progresso social não acompanhou o primeiro nem de longe – apesar de ser a segunda cidade do estado do Rio de Janeiro em número de habitantes, com 1 milhão de pessoas, seu único teatro foi arranjado dentro de uma escola estadual e a única biblioteca funciona improvisada dentro de um centro cultural.

A máquina pública trabalha para ela mesma e ignora as necessidades do povo, como nas eleições deste ano, quando foi abertamente utilizada para eleger membros do partido do atual prefeito, derrubando árvores e colocando placas de propaganda no lugar, poluindo sem pudor as ruas da cidade com “santinhos” e carros de som estrondosos. Há décadas o próprio governo municipal trata São Gonçalo como um imenso camelódromo fora da lei, desordenado, onde o desperdício, a omissão e conivência com o crime imperam.

Mas desespero e lamento não são o caminho para salvar a cidade. Os projetos que deram certo, como saraus de poesia e centros de reciclagem, são de iniciativa popular, ela é a solução. A considerável parcela da população dotada de capacidade crítica e capaz de empreender pode trazer as mudanças necessárias. O gonçalense deve agir de forma inteligente e ensinar a administração pública municipal a fazer o mesmo.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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2 comentários

  1. Companheiro, seu relato é válido, mas acredito que i principal problema de São Gonçalo seja a baixa capacidade de investimento que a Prefeitura pode fazer. A receita pública per capita da cidade está entre as três últimas do estado. Nenhuma cidade do Rio enfrenta problemas da magnitude que São Gonçalo tem.

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