Nas suas versões online, os dois maiores jornais brasileiros em circulação, Folha de São Paulo e O Globo, destacaram a condução coercitiva de Lula como se fosse o fim esperado de uma longa guerra sangrenta quando não corresponde nem à sentença final de um processo jurídico criminal. Algo diferente do Jornalismo, essencialmente imparcial, produziu histérica euforia nos veículos e envergonhou a imprensa brasileira na última sexta-feira (04/03).

Lula foi presidente do Brasil por oito anos, entre 2003 e 2010, e até hoje é a voz mais cativante da política nacional, capaz de mobilizar multidões. Ao se tornar um dos onze alvos da 24ª fase da Operação Lava-Jato, o ex-presidente ocupou metade dos sites dos jornais associado a suposições inúmeras ainda não completamente investigadas, causando no leitor tédio pela mesmice previsível e indignação contra a ausência de informações honestas. Folha e O Globo agiram como uma criança de 1 ano de idade com um brinquedo novo, a Polícia Federal batendo na porta da casa de Lula, e o babaram, morderam e jogaram o brinquedo para o alto; se possível, soltariam fogos de artifício na Internet.

Na mesma data, atualizando seu portal a cada minuto (adotando idêntico sensacionalismo vago da Folha), O Globo publicou como principal destaque uma notícia que dizia “Há evidências significativas de que Lula se beneficiou do Petrolão, diz MP”, contudo, ao clicar no link da notícia nenhuma evidência era encontrada, mas um conto de fadas, história chata sem validação jurídica, a condenação pela própria notícia, matéria vazia cuja menor consequência é a confusão plantada na cabeça do leitor incauto.

Pesa contra o ex-presidente a hipótese investigativa de que empreiteiras envolvidas no Petrolão são as maiores doadoras do Instituto Lula e grandes contratantes de suas palestras e eventos. O Ministério Público Federal continuará as investigações, e que os jornais evitem a indignidade de festejá-las insistentemente.

A cobertura online do jornal El País foi justa: a manchete na manhã do dia 4 deste mês era a condução à força para colher depoimentos de 11 suspeitos de envolvimento no Petrolão, com atualização mais consistente, embora menos frequente, e obviamente citava Lula por sua importância política, mas o site não ignorava os demais acontecimentos envolvendo a Operação Lava-Jato, na Saúde e na Economia relevantes para o país.

Pessoas comuns – pobres não beneficiados pelo Petrolão – são conduzidas diariamente à força pela Polícia das favelas à delegacia, não raro à morte, como o pedreiro Amarildo. Prejudicam a sociedade brasileira os meios de comunicação acusadores e precipitados que dos oprimidos se esquecem por pelo menos um dia.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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