Aparições de Mulim são momentos mágicos

Quando Neilton Mulim, prefeito de São Gonçalo, aparece nas ruas da cidade, respirando o mesmo ar que o povão, é lindo.

Um funcionário da Prefeitura anuncia a chegada de Mulim em alto e bom som, alegremente, mas ninguém o vê de imediato. Centenas de fogos de artifício estouram, as pessoas gritam de felicidade, sorriem e aplaudem, enquanto o suspense é mantido por alguns minutos.

A mulher mais simpática e falante da equipe de governo percorre o local distribuindo bolas brancas e azuis, as cores da cidade, primeiramente às crianças. Sem saber, elas têm a jovialidade roubada pelo fotógrafo que acompanha as entregas de bolas por todos os lados, para promoção posterior do evento. As crianças são contagiadas pela “tia” empolgante e, com bola na mão, sorriem naturalmente para a foto e propaganda perfeitas.

Os acostamentos das ruas ao redor já estão lotados de carros considerados de luxo pelo gonçalense pobre, veículos belos e caros pertencentes aos secretários, vereadores pró-governo e assessores de ambos que acompanham a comitiva. As ruas, aliás, antes foram preparadas pela equipe de manutenção trazida especialmente para a aparição do Prefeito. O pessoal da limpeza capina, varre, arranca as faixas irregulares, pinta o meio-fio e os postes de luz com velocidade incrível. O local, antes sujo e desamparado pelo poder público, de repente se transforma. Maravilhoso mesmo é o caminhão enorme, luminoso, visto raríssimas vezes, que limpa as ruas de forma extraordinária por onde passa. Você se sente em Paris ou Nova York observando esse caminhão.

Então Mulim surge caminhando, as pessoas o cumprimentam, todos o amam, cidadãos oportunistas, ignorantes e líderes comunitários analfabetos querem tocá-lo, conhecê-lo, ter uma fotografia ao seu lado pois um dia desejam ingressar na política gonçalense. Sorridente, o Prefeito os cumprimenta, sem exceção. Quando consegue chegar ao microfone, Mulim diz exatamente aquilo que o povo precisa ouvir. Ele critica o governo anterior, promete recuperar a Praça Chico Mendes, urbanizar o Alcântara, levar saneamento básico e asfalto a mais e mais bairros (sem mencionar que aproveita verbas federais). Seus apoiadores iniciam uma salva de palmas, mais fogos são estourados, o povo se sente nas nuvens, apesar de absolutamente nenhum cronograma dos projetos prometidos ser apresentado.

Quando Mulim vai embora, o local volta a pertencer a São Gonçalo: restos de fogos de artifício ficam pelo chão, como também os copos plásticos distribuídos com água para as autoridades. Porque o atual governo não se preocupa de verdade com a cidade. Mas quando ele está presente é diferente, o momento é mágico. Ah, Mulim, você deveria aparecer mais vezes.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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