Não por acaso Márcia foi contratada pelo Prazeres do Planalto, puteiro que oferece atendimento de luxo na capital federal. Ela conspirou. Depois não deu aos frequentadores da casa o prazer que prometeu.

A vaga pertencia a Denise Rocha, profissional querida pela clientela formada por deputados, senadores e secretários exigentes e acostumados à vida “gourmet”, feita de produtos e serviços de alto padrão. Márcia publicou na página do Prazeres, no Facebook, uma carta contando todos os podres de Denise. A carta viralizou, metade de Brasília leu que Denise fez dois abortos, teve sífilis e decepcionou um famoso senador na cama. O texto difamatório dizia que Denise, perto dos 40 anos, não oferecia mais aos clientes o mesmo gozo que lhe deu prestígio. Márcia ganhou influência no meio da prostituição e o convite para ocupar a vaga de Denise no Prazeres.

Antes de assumir o cargo, fez um curso de massagem tailandesa, comprou acessórios – algemas, vibradores, óleos – e gastou uma nota em roupas. Tudo pago pela empresa. Jovem, magra, alta, morena, seios médios e firmes, Márcia tinha o talento de conseguir o que queria.

Sua estreia foi adiada uma, duas, três vezes porque a bela não estava “preparada”. Desfilava pelos diferentes ambientes do Prazeres usando um vestido azul, curto e justo, paquerando e provocando os homens. Emprestava seu rosto às ações de marketing do Prazeres publicadas nas redes sociais e ganhou cada vez mais fama.

A direção do puteiro ficou preocupada. Contratou um talento, mas o investimento não rendia o lucro esperado.

Uma noite um deputado federal pelo Estado do Rio de Janeiro, só de roupão, bêbado de uísque, não resistiu quando Márcia cruzou as pernas de frente pra ele, no bar.

– Ei, tu é puta ou não é? Fica aí toda empinada, tem nutricionista, roupeira particular, assessora e o cacete e não quer dar pra mim?

Márcia disse que recebeu uma ligação do Presidente, “do próprio Presidente da República”, pedindo que se guardasse pra ele. O Presidente queria ela “virgem”, sem atividade sexual por três semanas. Manias do Presidente. Um dia ele a visitaria.

– Estou apenas cumprindo o desejo do homem. Se me nego e o Presidente fica nervoso, o que poderia acontecer ao Brasil? Os impactos na economia, no mercado financeiro e na votação das reformas seriam desastrosos.

Ela falava com perfeição. Queria ser professora do Ensino Fundamental, cuidar de crianças. Era puta por um motivo maior: levar diversão aos responsáveis pelos rumos do País. Nem os sócios do Prazeres do Planalto ousavam discordar.

Como um dia o Presidente em pessoa estaria presente, o número de frequentadores aumentou, interessados em emendas parlamentares. Márcia continuou ganhando presentes, roupas e joias de seus admiradores e ninguém tentou um programa com ela depois disso.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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3 comentários

  1. Quantas Márcias temos hoje no planalto…. realmente está uma putaria aquilo lá

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