Amigos gonçalenses, o prefeito José Luiz Nanci, o vice-prefeito Ricardo Pericar e a primeira-dama da cidade, Eliane Nanci, fizeram as pazes de uma vez por todas. As brigas pelo poder (e por combustível de graça) terminaram no recinto mais nobre da cidade, o restaurante do Hotel Alcântara, palco de encontros marcantes entre membros do Legislativo e do Executivo municipal. Como testemunha do Pacto da Paz, convidaram a mim, mero garoto de programa criado no Vila Três, bairro vizinho, quando oferecia meus serviços na porta do hotel.

Nanci deu o tom da reunião. Logo na entrada pediu ao garçom um uísque 12 anos, sem gelo. Sentaram-se à mesa os três monstros sagrados da política contemporânea gonçalense, Nanci já com o copo na mão, virando o primeiro gole. Os olhos penetrantes do prefeito brilhavam como o fogo.

Surpreso com a situação, completamente diferente do que costumo participar, me sentei silenciosamente numa poltrona de veludo vermelho, de frente para a mesa mais poderosa, quente e sexy de São Gonçalo. Juntei as pernas e coloquei as mãos sobre os joelhos. Percebendo meu desconforto, Nanci se virou e me disse: “Não se preocupe, você será pago”.

Tudo o que ouvi depois entrou para a História. No meu lugar deveria estar um cientista político, historiador ou intelectual capaz de entender direito aquilo. A lagosta gratinada foi servida em uma bandeja prateada.

– Porra, Pericar, vamos acabar com essa merda – exigiu o prefeito batendo o copo de vidro tão forte na luxuosa mesa de madeira que eu pensei que fosse quebrar.

Eliane abriu a boca e antes que conseguisse se expressar, Nanci interrompeu.

– Não fale agora, Eliane, não terminei – disse com autoridade, alto e claro, sem raiva na voz.

– Sou o prefeito de São Gonçalo. Precisamos discutir e definir juntos as melhorias para o município. Chega de ações às escondidas e de promoção pessoal. As iniciativas da Prefeitura serão divulgadas apenas pela área de Comunicação. Amanhã teremos uma reunião com os empreendedores da cidade. Tanto aqueles que trabalham no território quanto os que empreendem no Rio de Janeiro e Niterói. Eles formarão uma comissão e participarão das soluções práticas para esse mundo de problemas que encontramos.

– Os camelôs daqui de Alcântara sem autorização para trabalhar, que não estiverem na Rua da Feira, serão convidados a compor o novo Mercado Popular. Quero um sistema integrado de requisição de serviços públicos pronto amanhã no fim do dia. Você cuida disso, Pericar. Cada novo projeto será amparado por um sistema de informação, cada decisão será tomada a partir da análise de dados históricos sobre o tema. As emergências, caso ocorram, serão tratadas imediatamente pelos secretários responsáveis e logo depois quero ser informado.

– Joaquim de Oliveira, Carlos Ney e Rafael do Gordo estão fora. Nossos parentes e amigos incompetentes também terão que sair, querida.

Pericar e Eliane balançaram a cabeça dizendo “sim”. O prefeito Nanci levantou da cadeira, deixou o copo vazio na mesa, olhou para o vice e para a primeira-dama paralisados, se virou para mim, ergueu as mãos na altura dos ombros e perguntou para todo o restaurante ouvir: “E agora, vamos todos para a suíte presidencial?”.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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