José Luiz Nanci assumiu o cargo de prefeito de São Gonçalo no início do ano e fez o dever de casa: diante de uma dívida de R$ 600 milhões herdada do governo Mulim, cancelou contratos com indícios de superfaturamento, reavaliou outros e reduziu os valores devidos pela Prefeitura às empresas (Jornal Daki). Então a animação acabou (na verdade ela foi roubada por atores políticos de naipes diversos). Nanci se afirmou como uma figura política frágil. Problemas relacionados à infraestrutura e à coleta de lixo alcançaram proporções dramáticas e a desconfiança atingiu precocemente a população.

A fragilidade de Nanci se tornou conhecida nos debates da campanha eleitoral. A principal proposta de governo que apresentou oficialmente ao Tribunal Regional Eleitoral foi um ombro amigo para São Gonçalo. Era sabido que, se eleito, o próprio Nanci precisaria de apoio para a construção – e defesa – de um projeto governamental. Não veio ajuda suficiente do Partido Popular Socialista (PPS), do corpo de secretários, de lideranças populares, nem da Câmara Municipal e o governo Nanci se perdeu em um cenário em que muitos querem assumir o palanque e conquistar votos para as eleições do ano que vem.

Disputas poderiam ser úteis se os adversários tivessem forças equivalentes. Contudo, o gabinete do prefeito transborda de imaturidade. Dar superpoderes à primeira-dama, nomeada como presidente da Comissão Especial de Desenvolvimento, Relações Institucionais, Prospecção, Controle de Receita e Despesa do município, não estabilizou o governo. Afinal, o povo elegeu Nanci para ser o principal responsável por administrar os interesses gonçalenses dentro do Executivo, não sua esposa.

Com apenas quatro meses de existência, mas consideravelmente instável, boatos abalam o governo tanto quanto as ondas prejudicam um castelo de areia. O prefeito veio a público desmentir desentendimentos com o vice-prefeito e a demissão do secretário de Saúde.

Enquanto um grupo organizadíssimo de vereadores da oposição fazia marcação cerrada às ações da Prefeitura, buscando a melhor pose para fotografia Nanci se agarrava às placas de divulgação do IV Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável, em Brasília.

A licitação da iluminação pública foi cancelada ontem (03/05/17) porque o governo, sob vigilância, foi incapaz de dar a transparência necessária ao processo. Se a culpa pelo cancelamento foi dos vereadores presentes pelo suposto tumulto provocado, o governo Nanci foi covarde por não ter chamado a polícia.

São Gonçalo está imersa no esgoto, mais do que de costume. Vazamentos escorrem há meses pelas ruas. Em Alcântara, Colubandê, Mutuá, Vila Três e inúmeros outros bairros os pedestres tomam banho de água suja quando os veículos passam.

Nanci é tão frágil quanto bem intencionado, por isso ainda há esperança. Como não acreditar na simpatia do prefeito quando ele se dirige aos gonçalenses com a alma aberta, tomada de sinceridade? Entretanto, se não tiver ajuda de pessoas interessadas no bem de São Gonçalo, em pouco tempo o governo Nanci vai ruir.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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