O mototaxista ocupa as principais esquinas de São Gonçalo oferecendo uma corrida emocionante, capaz de injetar altas doses de adrenalina no sangue do passageiro. Nos últimos quatro ou cinco anos, nenhum outro ser vivo se reproduziu nas ruas da cidade mais do que ele. Sua taxa de crescimento anual superou a do camelô, antes imbatível.

“Mototáxi, senhora, mototáxi?”, gira a cabeça de um lado para o outro, aponta e grita o profissional ilegal de transportes. O cliente fica sem saber em qual moto subir quando mais de um mototaxista está no ponto gritando, apontando e girando a cabeça ao mesmo tempo. Alguns ligam o motor da moto antes de o cliente subir na garupa, para mostrar agilidade, e se o passageiro não for rápido o veículo pode partir sem ele.

As motos pequenas carregam gordos que arriam os pneus, magros que quase voam na viagem, baixos e altos com os joelhos perto do guidão, como eu. Há “mototáxis”, como são popularmente conhecidos, tão gordos que só sobra espaço nas motocicletas para passageiros baixos e magros. O corpo feminino se adaptou bem a esse meio de transporte de espaço reduzido.

O serviço não tem frescuras, além de pessoas carrega coisas como bolsas de compras de supermercado nos dois lados do guidão e em cima do tanque de combustível, varas para cortinas, cães, gatos, gaiolas e o que mais for requisitado. Às vezes traz tantos objetos que o passageiro fica de fora e vem a pé atrás da moto.

Embora o preço seja alto, o mototaxista agilizou o transporte municipal. Do centro de Alcântara ao Vila Três, bairros colados, a passagem custa R$ 4,00. O passageiro na garupa veloz se sente mais seguro durante a noite, onde assaltos são frequentes e caminhar é arriscado. E fica satisfeito quando mora longe de qualquer ponto de ônibus e tem pressa para chegar em casa.

A corrida pode ser agendada pelo Whatsapp, de qualquer bairro da cidade. Ele está presente nas praças de Trindade, Nova Cidade, Centro, Santa Luzia, Rio do Ouro, Monjolos… Moradores de áreas dominadas pelo tráfico de drogas e que saem bem cedo para trabalhar utilizam bastante o serviço.

Já defenderam a regulamentação do mototáxi o secretário de Desenvolvimento Social, Marlos Costa, que não é bobo, e o ex-vereador Bananada, que não está mais entre nós. Afinal, um serviço tão utilizado pela população não pode continuar sendo explorado pelas sociedades entre policiais militares corruptos e outros tipos de bandidos. A taxa semanal cobrada no mundo do crime, por moto, gira em torno de R$ 160.

O mototaxista gonçalense é uma espécie alegre que cumprimenta as crianças na rua e buzina ao passar em alta velocidade. Até capacete e colete ele usa atualmente, tremenda capacidade de auto-organização. Não esqueça de segurar firme porque ele não reduz a velocidade em buracos nem cruzamentos.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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1 comentário

  1. O serviço de moto taxi foi regulamentado no município do RJ. Falta apenas a mão firme do secretário de transportes para tomar a frente deste serviço e não deixar a informalidade tomar conta. Outro “câncer” em SG é o estacionamento irregular ao longo das principais avenidas do município, impedindo o livre trânsito de veículos. Isto ocorre particularmente nas ruas Comandante Ari Parreiras, Dr. Francisco Portela e Dr. Nilo Peçanha

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