A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), instituição católica de forte influência política e a quem candidatos costumam pedir bênção durante o período eleitoral, convidou os brasileiros para participar do Dia de Jejum e Oração pelo Brasil neste 7 de Setembro. Para a CNBB, “vivemos um momento difícil e de apreensão no Brasil. A realidade econômica, política, ética vem acompanhada de violência e desesperança. A oração é uma oportunidade para que os cristãos e pessoas de boa vontade que querem um Brasil melhor, mais fraterno e não dividido se unam”. Esquecido do pedido, tomei café da manhã, não posso jejuar, mas escrevi uma oração:

Deus,

perdão pela destruição que até hoje causamos à terra e aos povos livres de pecado que habitavam o Brasil antes da chegada dos europeus. Queimando florestas, escravizando e finalmente revogando reservas ambientais e eliminando direitos ancestrais e modernos conquistados com luta pelo trabalhador.

Há tanto a ser feito. O homem e a mulher da terra não podem ainda tirar seu sustento em liberdade, o suor da gente do campo pertence ao latifundiário. Quando conquista um espaço para plantar, a seca impede, seca de alma brasileira no coração dos donos da água.

Perdão por transformarmos o negro e o índio em longos sacrifícios. Tantos são enganados, espancados, assassinados… Vítimas da cobiça de empresas nacionais e estrangeiras, vítimas do processo sangrento de fabricação, tráfico e entrega de drogas na porta de casa, nos bairros nobres, vítimas da mão policial do Estado violento.

A pobreza do Rio de Janeiro, capital do Império que reflete aquilo que o País cria de mais moderno, foi transformada em atração turística, a favela carioca virou palco da desgraça. O esforço para superá-la é menor do que a vontade de exploração econômica.

Perdão por nos acostumarmos aos barracos de madeira construídos sobre valas de esgoto e às casas de tijolos sem reboco que vemos no caminho para o trabalho. Por criarmos bairros lindos, limpos, arborizados, organizados com infraestrutura e segurança pública e privada para os insensíveis que nos governam.

Virar a cabeça com nojo e cuspir no chão ao passar por uma criança suja na rua, cheirando uma substância dentro de uma garrafa, se tornou um hábito. As meninas de cabelo e pele indígena do Norte sofrem como objetos de exploração sexual a bordo dos navios que sobem e descem os rios da região. Abra nossos olhos, Senhor.

Mostre aos assassinos o quanto carregam dos hábitos alimentares, religiosos e culturais de suas vítimas. Por permitir este aprendizado e combinação sanguínea, diferentemente dos países da América que se acham mais desenvolvidos que nós, obrigado, Deus.

Por uma Independência sem as limitações do colonizador, por um Brasil dedicado ao seu povo e livre da influência religiosa, ruralista e da indústria de armas e munições na política, amém.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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