Não é preciso se esforçar pra perceber. Os 91 bairros oficiais de São Gonçalo podem ser agrupados em três cores que refletem a história e as características de cada um.

No Arsenal, Laranjal, Coelho e Raul Veiga, uma cor predomina nos muros das casas e dos estabelecimentos comerciais, nas ruas, asfaltadas ou não, nos postes de luz e nas árvores. As árvores perdem o verde e assumem a cor bege, amarelada, a cor da areia do mar. São bairros sem varrição da Prefeitura e de infraestrutura muito atrasada. Quando venta, a areia voa da sarjeta e arranha os olhos.

Acontece diferente nos bairros gonçalenses antigos, com maior oferta de serviços, asfalto e água encanada. São Gonçalo é cinza no Porto Velho, Neves, Centro e Gradim. Cinza da poluição do escapamento dos veículos. Das fachadas comerciais do início do século 20 há décadas sem pintar. Cinza das pichações nos muros, do tédio e da angústia de uma cidade onde poucos aproveitam sua oferta cultural.

A cor verde vence a areia do descaso e o cinza da sujeira em raríssimos bairros como Santa Isabel e Monjolos. Bairros com fazendas, sítios, plantações e gado, uma zona rural convidativa e agradável pra caminhar. Parece que saímos de São Gonçalo quando estamos dentro deles. O ar refresca as narinas, os pulmões e a alma. Dá vontade de deitar na grama e dormir.

Cada regra conta com suas exceções e para a minha teoria não seria diferente. Em cada bairro gonçalense o lixo nas ruas salpica um colorido além das três cores básicas, mas nada se compara com Alcântara. As lixeiras transbordando, os sacos plásticos, os copos e as embalagens espalhados no chão conseguem superar o cinza do bairro e deixá-lo multicolorido. Talvez até alegre. O Rocha fica entre o bege, o verde e o cinza. É um bairro em desenvolvimento. Camarão e Parada 40 são alguns bairros em que vejo certo equilíbrio de cores.

Prefiro os bairros verdes. Quem não abre mão de um centro comercial perto de casa prefere os cinzas. Os bairros beges estão sofrendo mais do que qualquer outro com o domínio das milícias e do tráfico de drogas, como o Jardim Catarina. Prefiro os bairros verdes, mas sem dispensar comércio, serviços, infraestrutura e segurança, combinação possível em São Gonçalo e em qualquer parte do mundo.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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