Dilma Rousseff e Eduardo Cunha não poderiam existir sozinhos, um sem o outro. Eles aproveitam a imoralidade mútua para justificar seus vícios. Através desta dependência doentia, Dilma se sustenta como Presidente da República, apesar das pedaladas criminosas e irresponsáveis, e Cunha continua pautando a agenda de uma das principais casas políticas do país, mesmo com provas cabais de sua desonestidade.

Apenas imorais alegam que não podem ser julgados por imorais. Pessoas honestas aceitam qualquer questionamento, porque não devem nada. “Quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficientes para atacar a minha honra?”, discursou Dilma, no 12º Congresso da CUT. Indagação tão mesquinha jamais deveria ter saído da boca da chefe do Executivo de um país democrático. Ela propõe a manutenção do terrível estado em que o Brasil se encontra, quando a Câmara dos Deputados e a Presidência da República ignoram completamente o povo brasileiro e pensam apenas na própria sobrevivência política.

O relatório final da CPI da Petrobras, de responsabilidade do deputado petista Luiz Sérgio, foi um perfeito ato de amor. Ele poupou descaradamente todos os políticos investigados na Operação Lava Jato, inclusive o presidente da Câmara. Cunha mentiu em seu depoimento para a CPI, negou que tivesse contas bancárias no exterior, mas quatro contas foram descobertas, recheadas com milhões de dólares, oriundos de sua participação ilícita nas contratações da Petrobras. Cunha é poupado pelo PT porque seria figura central em um processo de impeachment contra Dilma. O interesse recíproco é também uma forma de amor.

Que esperanças pode ter o brasileiro de estabelecer finalmente algum traço de moralidade na liderança política do país e sair da crise econômica? Podemos aguardar as eleições de 2018 ou desejar que as ações danosas de Dilma Rousseff – entre elas o financiamento sujo da última campanha eleitoral – e Eduardo Cunha, no exercício de seus mandatos, sejam legal e sinceramente julgadas, na ordem em que foram cogitadas inicialmente (primeiro impeachment, depois cassação).

Conquistar a inocência que o Brasil nunca teve vale qualquer atribulação processual, não importa se somos uma democracia ainda jovem; admitir a corrupção no poder, em troca de uma falsa ordem, é optar pelo Brasil de sempre, um dos países mais corrompidos do mundo.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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