O lema do Governo Nanci nasceu fracassado

O lema do Governo Nanci nasceu fracassado

O lema de um Governo deve indicar o caminho que ele pretende construir para o futuro da sociedade. O lema do Governo Nanci é “Cuidando dos gonçalenses”. Indica que o futuro que José Luiz Nanci pretende construir é aquele em que ele e sua família ficam no Poder, curtindo salários de cinco dígitos, e o povo de São Gonçalo permanece deitado na pobreza, imóvel e de boca aberta, recebendo seus cuidados.

Embora o país não tenha se transformado tanto quanto gostaríamos, “Brasil, pátria educadora” foi o lema do segundo mandato de Dilma Rousseff. A pátria e sua missão vêm em primeiro lugar nesse lema e a figura do Governo Federal não aparece, como deve ser. Em São Gonçalo, o Governo Nanci é o sujeito. Não há futuro digno para um povo que não sabe cuidar de si mesmo e depende de um governo. Não há futuro nem mesmo para o prefeito Nanci. Um governo tão limitado, incapaz de pensar no melhor para a população, tende a morrer e ser esquecido depois de sugar o dinheiro público.

Existe um problema grave na política gonçalense que também afeta o Legislativo. Os políticos da cidade agem como se a população fosse composta por ignorantes e carentes de atenção e afeto. A principal ação parlamentar é acompanhar obras de infraestrutura e publicar fotos no Facebook, ao invés de legislar.

Colocar a motoniveladora na frente da Prefeitura como peça de marketing foi outro sinal de tremenda limitação governamental. Publicar no site da Prefeitura o planejamento criado pelo governo para aumentar as notas gonçalenses no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica seria a propaganda ideal. Mas não há planejamento para São Gonçalo há pelo menos algumas décadas. Previsões e intenções de longo prazo não são comunicadas à população.

Quando aceitou esse lema, Nanci viu em si mesmo um pai protetor e um povo frágil. Além de estúpido, isso tudo é uma farsa. Nanci não cuida dos meninos de 8 anos de idade que passam o dia implorando esmola como flanelinhas no estacionamento entre o lixão e a Favela da Central, no Raul Veiga.

O Governo Municipal não tem identidade ou foco, não tem rumo, por isso não apresenta nenhuma proposta que possa transformar a cidade. Ninguém no Executivo é capaz de responder qual aspecto do povo e do município de São Gonçalo o Governo Nanci mais valoriza e procura desenvolver.

São Gonçalo é conhecida pela sujeira nas ruas. Um governo inteligente usaria isso a seu favor, transformaria São Gonçalo no polo de reciclagem que o município tem potencial para ser.

Devemos mais aos índios do que pensamos

Por que devemos respeitar os índios

Há cinco dias centenas de brasileiros ridicularizam as imagens do único sobrevivente da tribo Tanaru publicadas pela Fundação Nacional do Índio no YouTube. Sua tribo inteira foi assassinada por fazendeiros e ele vive isolado. Os comentários questionam a autenticidade do vídeo ou defendem que o espaço onde o índio habita é muito grande para ele. O último Tanaru teve a tribo dizimada e também deveria ser confinado em um espaço menor. Esses brasileiros não compreenderam que devemos nossa maternidade aos índios e deles herdamos hábitos que carregamos até hoje.

Havia muitos povos tribais, mas apenas uma raça no início da colonização do território pelos poucos homens portugueses que aqui chegaram. A partir do escasso sangue europeu e da fartura do ventre indígena nossa rica miscigenação nasceu.

Os indígenas tinham o costume de incorporar estranhos à sua comunidade, prática chamada de cunhadismo. O povoador europeu, náufrago ou degredado de qualquer nacionalidade, podia assumir moças índias como esposas. Alguns tinham dezenas. O moreno claro na pele dos brasileiros e a maior parte dos “brancos” do país, brancos apenas aos nossos olhos, são resultado dessa mistura.

O brasileiro, que não existia no início do século 16, se consolidou com o passar do tempo. O filho de pais indígenas, criado junto da tribo, continuou sendo índio, tão irredutível na sua identificação étnica quanto o cigano e o judeu. Como atualmente existem duas raças, tanto o brasileiro como o índio, é comum o engano de esquecer a origem brasileira e o crime de não valorizar os povos originários como merecem.

Dormir na rede, acordar, tomar banho, pentear os cabelos e comer mandioca no café da manhã. Com exceção da necessidade biológica de dormir, todos os outros hábitos foram transmitidos pelos índios. No passado os europeus tomavam no máximo dois banhos por ano, quando havia recomendação médica.

Para vergonha do Brasil, os índios sofrem uma realidade ainda mais cruel do que o restante da população. Eles testemunham e enfrentam ataques constantes do Estado, de agricultores e gananciosos em geral contra sua cultura e seu habitat. Situação que leva a doenças como depressão, esquizofrenia e à uma taxa de suicídio três vezes maior do que a média nacional, atingindo principalmente jovens de 10 a 19 anos.

A questão pode se tornar ainda mais desesperadora visto que está em ascensão no Brasil um movimento político de extrema direita que nega abertamente aos índios seu direito natural mais básico, a terra. Isso depois de sofrerem uma tentativa de extermínio que durou séculos e reduziu a população indígena de 5 milhões de indivíduos para menos de 1 milhão (Darcy Ribeiro, O povo brasileiro).

Geralmente avesso à formalidade, criativo e próximo da indisciplina, enquanto o povo brasileiro não reconhecer sua origem primária indígena e não perceber a influência dela sobre aspectos do seu comportamento, seremos um povo incompleto, preconceituoso e racista. Nas Américas já existe uma sociedade economicamente desenvolvida, mas doente, porque não respeita a diversidade. Temos a chance de ser um exemplo de humanidade no continente para o mundo, começando pelos comentários que publicamos na Internet.

Problemas simples que o Governo Nanci não resolve

Problemas simples que o Governo Nanci não resolve

Os moradores de uma rua fechada com portão e guarita, no bairro Vila Três, abriam o portão, atravessavam a rua e jogavam seu lixo na calçada, em frente a um cruzamento de veículos. Fizeram isso todos os dias durante anos. Ratos se alimentavam do lixo, de dia e de noite, e voltavam correndo para o valão que corta o bairro.

Há menos de dois meses a Prefeitura de São Gonçalo colocou uma placa informando que é proibido jogar lixo no local e disponibilizou um telefone da Secretaria de Meio Ambiente para denúncias, chamado de WhatsApp Verde. O problema foi resolvido! Agora os moradores da rua deixam seu lixo dentro de coletores colocados na portaria. Quando o caminhão da coleta passa, o portão é aberto e o lixo é recolhido. A calçada está limpa e o pedestre pode circular sem tropeçar nos ratos.

Essa atitude mostra que existe no Governo inteligência suficiente para resolver pelo menos os problemas simples do município. Eles não são resolvidos por desleixo. Desde o dia 4 de junho, por exemplo, nenhum funcionário da Prefeitura responde às mensagens enviadas para o WhatsApp Verde.

No início do Governo Nanci as ruas do centro de Alcântara eram varridas aos domingos. Eu passava pelo bairro à tarde e não via lixo espalhado pela sarjeta. A sensação era de dignidade e respeito mútuo entre a população, a cidade e seus governantes. O bairro voltou a ficar largado e hoje está imundo. Por toda a cidade as ruas não são varridas nem o lixo é recolhido com a frequência necessária.

Ainda em Alcântara, embaixo do viaduto tem um mato gigante que está invadindo a calçada. Quando a multidão que circula no bairro passa pelo local, precisa sair da calçada e se arriscar na rua Manoel João Gonçalves pra não bater com a cara no matagal. O mesmo viaduto está cheio de placas e faixas ilegais, algumas de grandes empresas como o supermercado Atacadão.

Não existem problemas mais simples que esses, resolvidos com uma enxada e uma faca, ou respondendo uma mensagem pelo WhatsApp. Muitos problemas de São Gonçalo seriam rapidamente resolvidos com amor e cuidado pela coisa pública. Como o sistema de som clandestino que funciona a poucos metros da Prefeitura e publica anúncios comerciais o dia inteiro. Poucas cidades do Brasil têm o ar e o solo tão poluídos.

O atendimento à população é uma deficiência que poderia ser resolvida com  softwares gratuitos. Quando abre uma reclamação na Ouvidoria, nunca mais o cidadão recebe notícias sobre nela. O site da Prefeitura é confuso e incompleto, chega a ser amador. Ao clicar no link para saber informações sobre a coleta de lixo, o usuário é direcionado para o site da empresa que faz a coleta, numa tentativa de transferir a responsabilidade, e não encontra a informação desejada.

A própria Prefeitura cria problemas para si mesma ou deixa para a próxima gestão. Quando funcionários precisam quebrar o asfalto ou a calçada pra fazer um reparo, não raro deixam o buraco aberto. Obra iniciada no governo anterior, já são quase 128 anos de espera para ver o primeiro teatro municipal gonçalense funcionando. Pagar a dívida de R$ 1,3 milhões com a construtora e concluir a instalação elétrica não é mais complicado do que captar R$ 13,6 milhões para erguer o prédio, construído em 2016.