O voto mais perigoso para o Brasil

O voto mais perigoso para o Brasil

No dia 7 de outubro, diante das urnas, o voto mais perigoso para o Brasil será aquele que pensa somente em si mesmo. Não leva em consideração que mais de 100 milhões de brasileiros vivem com menos de um salário mínimo por mês (IBGE). E despreza o fato de que a pobreza e a violência afetam principalmente a população negra do país.

O voto mais perigoso não reconhece que a fome voltou a atacar o Brasil durante o governo Temer, embora o combate à pobreza tenha sido uma das mais bem-sucedidas políticas públicas dos 13 anos de governo do PT (Estadão).

Ele coloca a própria segurança acima de tudo, ainda que inocentes tenham que morrer. Prefere a violência cega e burra, também criminosa, contra a violência dos marginais. O eleitor que vota em quem prega o ódio geralmente não faz parte do grupo social de pessoas que podem ser confundidas e assassinadas a qualquer momento pela polícia militar ou pelas forças armadas. As verdadeiras vítimas querem desenvolvimento social e clamam por paz.

Os eleitores que defendem o fim do Bolsa Família nunca passaram fome. Aqueles que são contra as cotas raciais não se lembram dos universitários negros que foram os primeiros da história da família a entrar na universidade, após diversas gerações. Esses eleitores deixaram de ler sobre as consequências da escravidão desde que saíram do Ensino Médio e não entendem ao menos o significado plural, acadêmico e humano de uma universidade, pensam que é invenção da Esquerda.

Menosprezam os direitos humanos porque nunca foram torturados, como muitos inocentes. O Brasil é o país que mais mata defensores do meio ambiente no mundo inteiro. Se não compreendem um fato estatístico simples, também não compreenderão o significado de uma exceção como Joaquim Barbosa, ex-Presidente do Supremo Tribunal Federal. Exigem o mesmo heroísmo de cada menino pobre e negro do país, algo improvável sem condições dignas de sobrevivência e educação de qualidade.

Quando existem condições seguras para o desenvolvimento da cidadania, mais cidadãos são formados. E isso não tem nada a ver com escolhas individuais, mas com ciência. No Rio de Janeiro crianças são assassinadas dentro da escola, dentro de casa e no parquinho. Mesmo vestindo uniforme escolar, são assassinadas pela polícia nas ruas. Fetos são atingidos dentro da barriga da mãe. A tal da “questão de escolha” é uma ofensa contra os moradores das periferias do país.

Se o novo Presidente não colocar em primeiro lugar o combate à pobreza, origem dos nossos males, o pobre continuará sofrendo sem esperança. Existe um consenso internacional de que o investimento em educação reduz a pobreza, constatação amparada por estudos como o que a UNESCO fez ano passado. Sendo a educação uma ferramenta importante, fica fácil concluir que também é perigoso para o Brasil o voto direcionado ao candidato que ataca diretamente o Patrono da Educação Brasileira em seu plano de governo.

O falso, a besta e o inútil são candidatos a deputado

O assassino, o caloteiro e o tímido são candidatos a deputado estadual

A história é bastante simples e se passa em São Gonçalo, cidade de 1 milhão de habitantes sem projeto de desenvolvimento social, sem transporte de massa e onde secretarias de governo dentro da Prefeitura pegam fogo até a destruição completa. Fracassados como representantes do povo na esfera municipal, nossos personagens não estão satisfeitos com o tamanho do mal que causaram. Eles querem mais poder e o salário generoso de deputado estadual ou federal.

O falso foi policial militar, fez carreira na instituição e acumula mandatos como vereador. Sua atividade legislativa mais frequente é acompanhar obras de recapeamento realizadas pela Prefeitura, fotografar a si mesmo apontando para o reparo na rua e depois compartilhar as fotos nas redes sociais como se ele, um vereador, fosse patrocinador da obra com dinheiro próprio. Na verdade quem paga por ela é o próprio povo através do Poder Executivo. O falso explora a limitação popular de não saber a verdadeira função de um parlamentar.

Por seus equívocos frequentes, alguns até reconhecidos por ela, a besta seria digna de pena se não fosse sustentada com dinheiro público. Também vereadora gonçalense, ela deveria legislar em benefício do povo e fiscalizar o trabalho do prefeito, mas usa a tribuna da Câmara Municipal para reclamar de outros vereadores, fazer fofoca mesmo, e para xingar seus opositores. A besta xinga, gosta de xingar e xingando quer parecer inteligente. Na verdade ela não conhece nada sobre a história do povo que representa e sobre os motivos da crise que vivemos. A única coisa que é capaz de oferecer é a sua ignorância.

O inútil foi secretário de um governo sem expressão, o governo de José Luiz Nanci. Não pôs em prática nenhum projeto que fizesse a diferença na vida do povo. É meio tímido, passivo e sem graça. Acompanha seu padrinho político há anos como um lacaio mudo e obediente. Por que ele resolveu ser deputado é um mistério. Diria que a popularidade que chefiar uma secretaria proporciona se torna um capital político que não querem desperdiçar. O partido investe no político, que investe em um afilhado que depois retorna o investimento em votos para o partido. E assim a roda gira sem tirar o povo do lugar.

Esses seres esperam ocupar a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e a Câmara Federal, onde receberão salários mensais de R$ 25 mil e R$ 33 mil, respectivamente. Não são os únicos candidatos com base política em São Gonçalo, felizmente, mas ninguém ficaria surpreso se todos fossem eleitos.

Nanci não existe como prefeito

Nanci não existe como prefeito

José Luiz Nanci, oficialmente prefeito de São Gonçalo, está sempre ausente, mesmo sentado na cadeira branca dentro do seu gabinete. Ele não demonstra vontade de resgatar e preservar aquilo que é caro ao povo gonçalense, como seu passado histórico e cultural e as manifestações artísticas da juventude. A cidade que temos hoje é apática e com cara de espanto, a imagem cotidiana de Nanci.

Aliás, as características psicológicas e comportamentais de cada prefeito que recebe o poder são disseminadas rapidamente no ar e no solo de São Gonçalo, cidade onde a exploração política encontra território fértil. Resguardadas as suas particularidades, os últimos prefeitos tiveram em comum o absoluto desprezo pelo município, por isso ele continua com os mesmos problemas.

Quando se trata de beneficiar São Gonçalo, Nanci é um corpo político vazio. Omisso ao ponto de ignorar a enorme Fazenda Colubandê, patrimônio nacional de 400 anos. Indiferente por não apoiar a 7ª edição do Festival da Cultura Urbana, que aconteceu no último fim de semana na Praça Chico Mendes. Os grafiteiros passaram o dia esperando as latas de tinta prometidas através da Secretaria de Meio Ambiente e nada receberam.

O prefeito é capaz de assumir outra forma prejudicial, um buraco negro que retém parentes mamando nas tetas do serviço público enquanto a cidade definha e morre. Caminhar pelos bairros mais isolados traz apenas tristeza. As crianças estão largadas de novo, perambulando pelas ruas a qualquer hora do dia e pedindo esmola nos estacionamentos, principalmente no período de greve escolar. Os jovens, reféns da violência e das drogas, ensinam aos mais novos o futuro que os espera. Garotos de 12 e 13 anos já trabalham como soldados nos inúmeros domínios do tráfico espalhados nas comunidades.

Não temos propósito social, projeto, esperança. Brevemente a pasta da Educação foi um farol que se esforçou para sonhar e apontar um caminho. Tudo acabou desde a saída de Diego São Paio. A pasta do Desenvolvimento Social, antes solidária, humana e presente, reduziu o ritmo das suas atividades desde que Marlos Costa começou a planejar sua candidatura a deputado estadual.

São Gonçalo sofre e espera uma solução que não sabe qual é e nem como será conquistada. A maior preocupação de José Luiz Nanci desde o início do seu governo, entretanto, foi ter virado tema de bloco de Carnaval. De acordo com o prefeito, ele não é mandado pela esposa, como cantava a marchinha, ele é mandado pela sua “família”. Nanci não admite que isso seja confundido.