Política municipal sofre de paralisia

Nada realmente transformador aconteceu na política gonçalense nas últimas semanas. Prefeitura e Câmara decidiram permanecer imóveis, preservar sua imagem e planejar a próxima campanha eleitoral, para elas é mais importante do que trabalhar para resolver os problemas atuais.

Através de iniciativas raras, como o Fórum de Políticas Culturais de São Gonçalo, a sociedade tenta empurrar o Poder Público em direção à labuta, pelo menos em alguns setores. Além do Fórum, discussões sobre mobilidade urbana ocorreram na cidade, dentro e fora da Semana de Incentivo ao Ciclismo, também digna de louvor. Transformações verdadeiras, no entanto, como aquelas prometidas pelo prefeito Mulim em 2012 e esquecidas pela maioria dos vereadores, ainda não vimos.

Livre de oposição construtiva, Mulim surfa tranquilamente nas ondas do PAC 2, inaugurando obras do programa Rua Nova com festa, como se estivessem concluídas. Os bairros onde o prefeito promoveu sua imagem estão afundados na lama agora, após as últimas chuvas.

Os poderes Executivo e Legislativo confundiram a desejada harmonia entre eles. Até pouco tempo brigavam por atenção como dois filhos mimados que não enxergam nada além de suas vontades; ultimamente adotaram a paralisia política, esperam de mãos dadas o tempo passar até outubro de 2016. Em nenhum momento desta legislatura discutiram tecnicamente em busca de soluções, ou fiscalizaram um ao outro para corrigir falhas.

Falta merenda e uniforme nas escolas municipais, entre outros motivos corruptos, porque a ação fiscalizadora da Câmara é insuficiente, tardia. A imprensa publica o sofrimento dos estudantes desde o ano passado. Se houvesse fiscalização séria, deficiências não se tornariam crises graves.

Enquanto Executivo e Legislativo se abraçam, o Alcântara, bairro de enorme importância comercial, supera em sujeira muitos chiqueiros. Nos horários de pico, centenas de pessoas amontoadas pisam literalmente no esgoto nos pontos de ônibus da rua Manoel João Gonçalves. Seres humanos cercados por pilhas fedorentas de lixo nas calçadas, se agredindo por um lugar nos ônibus lotados e imundos, é o retrato da nossa política pública.

Nas últimas semanas o trânsito entrou em colapso, jovens gonçalenses sem futuro profissional morreram de forma banal e o TCE parcelou a multa de R$ 119 mil do prefeito Mulim, aplicada pelo descaso com a coleta de lixo. Diante de tantas falhas na administração municipal, Executivo e Legislativo se mantêm inertes, ou talvez estejam em harmonia no Hotel Alcântara, onde outros nobres se hospedam para discutir seus interesses.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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