A seis meses das Eleições, a política de São Gonçalo está paradona, como na maior parte do tempo. Falo da Política que constrói uma civilização. Acordos políticos entre bandidos e ignorantes acontecem o ano inteiro. A Câmara Municipal e a Prefeitura se movimentam, excepcionalmente, pra tirar selfie com Dejorge Patrício e comer o churrasco de Altineu Côrtes quando esses deputados federais aparecem na cidade.

Dá uma olhada em volta, tudo parado. Passam dois assaltantes correndo de moto, aí percebemos movimento. Depois você olha pra dentro da delegacia e vê as vítimas paradas numa fila pra registrar ocorrência.

O camelô parou na calçada e até no asfalto, em Alcântara, e não saiu mais de lá. Com uma política como a nossa, que não apoia soluções econômicas, o coitado do camelô não tem culpa. O mendigo fica deitado embaixo da marquise, os engarrafamentos são cada vez maiores.

Na última eleição, em 2016, a cidade andou. Andou pra trás. O jeito do prefeito Nanci caminhar mostra bem o estado de espírito político gonçalense. Ele se desloca inclinado pro lado, vagaroso, se arrastando.

Após a eleição de um novo prefeito, parece que a cidade se mexe mas na verdade está imóvel. Ocorre a mesma ilusão quando estamos parados no trânsito e um veículo maior se movimenta ao lado. Quem andou foi Maricá, em qualidade de vida, Niterói, em mobilidade urbana. São Gonçalo estagnou.

O povo sai do trabalho, entra em casa e nem parece que 1 milhão de pessoas vivem juntas porque elas não se veem. As cidades se desenvolvem a partir dos espaços públicos. São Gonçalo tem espaços públicos menores e menos respeitados do que uma cidade de 2 mil habitantes do abandonado sertão nordestino.

Não podemos negar que alguns eventos culturais, como o festival de pipas no Clube Mauá, mobilizam a população. A festa de Iemanjá, o tapete de Corpus Christi e reclamar dela no Facebook, como faço agora.

Até me empolguei, confesso, com a explosão das hamburguerias artesanais, dos “barbeiros chiques”, como diz meu filho, e de eventos lotados de food trucks na praça Zé Garoto. Pensei que a cidade estivesse gerando empregos e avançando. Então vi, na mesma praça, no meio das cervejas artesanais vendidas a R$ 15, um menino sozinho, mal vestido, provavelmente com fome e sem um real no bolso, olhando aquela riqueza. São Gonçalo parou de novo.

Quando Dejorge aparece em público, nosso deputado federal superstar, a política gonçalense vai atrás dele. Vereadores que não conhecem o sentido das comissões onde trabalham levantam a bunda da cadeira e correm pra aparecer na foto.

Quando Altineu faz um churrasco na fazenda, a casta que habita a Prefeitura desperta, como uma múmia que dormiu por mil anos, e anda cambaleante em direção ao cheiro da carne assada. Lambe os beiços e respira por algumas horas o ar puro de Santa Isabel.

Removam da política os papagaios que tiram foto com Dejorge e os puxa-sacos que concedem a Altineu títulos de benemérito. Os famintos por churrasco. São dezenas em cada grupo, dezenas que só agem em benefício próprio, ninguém ganhando menos de R$ 9 mil. Nanci ficaria na porta da Prefeitura pra dar bom-dia pra quem passa na calçada (a simpatia é a maior qualidade do nosso prefeito) e deixem São Gonçalo andar pra frente.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

Participe da discussão

1 comentário

Deixe um comentário

Deixe uma resposta