Um homem favorável à tortura e ao assassinato de outros brasileiros conta com pelo menos 17% das intenções de voto para Presidente da República (El País). Um ser humano sadio não apoiaria qualquer violação dos direitos universais. E nenhum brasileiro que tenha entendido a luta e a dor da formação do seu povo faria uso de violência contra ele mesmo.

Os direitos universais, claros desde o princípio da consciência humana, estão listados no site das Nações Unidas. Já a formação do povo brasileiro pode ser conhecida através de Darcy Ribeiro. O grande antropólogo estudou o desenvolvimento do nosso povo por mais de trinta anos antes de lançar o livro “O povo brasileiro: A formação e o sentido do Brasil“.

Darcy sabia da importância da precisão dos fatos e o valor dos detalhes históricos para pessoas que ainda não compreenderam o sangue que carregam nas veias e se sentem inferiores a outros povos. Tão inferiores que julgam o país como condenado a um futuro de pobreza e corrupção. Tão desgraçados que, apesar de toda a barbárie dos três séculos e meio de escravidão, aplaudem linchamentos em praça pública, defendem a redução da maioridade penal, o fim das bolsas de assistência aos pobres e outros sadismos.

Na opinião de Darcy, de todos os povos do mundo o brasileiro é o mais especial. Definitivamente não é a opinião de um amador, mas de alguém que dedicou a vida à questão indígena, à educação e ao Brasil como problema. Seu livro esclarece o principal aspecto que marca nosso povo: sua exclusiva riqueza cultural e étnica. Não há a mesma mistura harmoniosa de três raças no mundo a partir do índio, do africano e do europeu. Tendo a exuberância completa da natureza como berço.

Mas o brasileiro não foi formado sem sofrimento (e as causas dele ainda existem). Os séculos de colonização agiram como “moinhos de gastar gente”. Estima-se que seis milhões de negros tenham sido mortos até 1850 e os índios foram reduzidos de cinco milhões para menos de 900 mil atualmente. Genocídios tão grandes quanto o extermínio de judeus no Holocausto.

Por que, ao invés de defendermos a Educação acima e antes de qualquer coisa, pregaríamos o porte de armas, a pena de morte e o assassinato dentro dos presídios para um povo que tanto sofreu? Ao invés da reparação judicial de crimes históricos, zombaríamos de povos violados no passado? Sobre o Massacre do Carandiru, onde 111 pessoas foram mortas, Jair Bolsonaro tomou a palavra na Câmara Federal e disse que “tinham que ter morrido mais de mil”. Sobre a visita que fez a uma comunidade de quilombolas, o deputado afirmou durante uma palestra para trezentas pessoas:

– O afrodescendente mais leve pesava sete arrobas. Nem para procriador ele serve mais – além de outras declarações preconceituosas.

Bolsonaro foi processado pelo Ministério Público Federal ano passado e há dois dias a Procuradoria Geral da República defendeu, através de parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal, o recebimento de denúncia contra ele por racismo praticado contra quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs, grupos da sociedade mais afetados pela pobreza e violência. Movida pelo ódio e pelo desprezo em relação à diversidade brasileira, a extrema direita só se preocupa com o próprio desenvolvimento e segurança.

O destino nacional vislumbrado por Darcy é infinitamente mais belo do que imaginar a ignorância e o despotismo de Bolsonaro como Presidente da República. O deputado já defendeu inclusive o uso político da força, em vez da democracia, para um país que acumula tantos golpes.

Segundo Darcy, graças à mestiçagem precisa, os brasileiros são um dos povos mais homogêneos linguística e culturalmente e também um dos mais integrados socialmente da Terra. Um gênero humano que nunca existiu antes. A maior das nações neolatinas pela magnitude populacional e criatividade artística, que agora deve usar a mesma criatividade no domínio da tecnologia para conquistar o progresso autossustentado na futura civilização.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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