Somos racistas ao extremo

A maioria das pessoas que conheço admitiu, com satisfação, a tortura e o acorrentamento de um jovem de 15 anos ocorridos dia 31 de janeiro, no Rio. Alegam que ele é um bandido violento, por isso “teve o que merecia”. Na verdade, as pessoas que conheço aceitaram tão bem esta barbárie pelo fato do jovem ser pobre e, principalmente, negro.

O rapaz foi despido, recebeu pauladas na cabeça, parte de sua orelha foi cortada e a corrente prendia seu pescoço a um poste de ferro. Não importa o que ele tenha feito, seres humanos decentes não maltratam, acorrentam e expõem nus outros seres humanos. Quem concorda com esta selvageria é o mesmo tipo de gente torpe que apoiava a escravidão há 125 anos atrás, alegando que os escravos faziam parte de uma raça inferior.

Não bastasse ser obrigada a suportar as maiores taxas de pobreza do país, cada nova tragédia que acontece recai com maior peso sobre a população negra, por isso deem um descanso à ela: que negros sejam maioria por pelo menos um dia nos condomínios ricos do Brasil.

Sim, também sou a favor da existência de cotas em outros setores da sociedade. Como representam 51% da população, metade do quadro de funcionários de qualquer empresa do Brasil, pública ou privada, micro ou grande, deveria ser composta por negros. Pelo mesmo motivo, todo restaurante, hospital, cemitério, escola, meio de transporte e prestador de serviços em geral deveria reservar 50% de sua capacidade de atendimento a negros. Eles são metade da população e não possuem nada além de desprezo constante por parte do país que constroem.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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