Durante uma palestra em Brasília, mês passado, o general Antonio Mourão ameaçou o povo brasileiro, 208 milhões de pessoas, e ofendeu a memória daqueles que dedicaram sua vida à formação da democracia nacional. Ele afirmou que está se aproximando o momento no qual finalmente as instituições resolverão o problema da corrupção política através do Judiciário ou, caso não resolvam, o Exército terá que impor uma solução à força (El País).

Secretário de Economia e Finanças do Exército e membro do Alto Comando Militar, não é a primeira vez que Mourão declara publicamente sua posição favorável ao fim do regime democrático, por isso se tornou ídolo dos infelizes que defendem um golpe militar. O desejo de generais, almirantes e brigadeiros, psicopatas hipócritas como Mourão, não é acabar com a corrupção, e sim tomar o poder. Poder e obediência cega de uma sociedade acuada pelo medo, disso que Mourão e seus amigos gostam.

O Artigo 142 da Constituição Federal estabelece que as Forças Armadas são subordinadas à “autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. O golpe planejado pelo general Mourão é inconstitucional porque as Forças Armadas não agem por vontade própria. Não cabe ao Exército, à Marinha e nem à Aeronáutica, sob nenhuma hipótese, escolher o que é melhor para o País. Militares são treinados para matar, defendendo ou atacando. As três Forças são nada mais do que ferramentas do Estado aplicadas de acordo com a Lei.

Além de quebrar a sagrada hierarquia que tem o Presidente da República, eleito pelo povo, como maior comandante, o general pretende roubar o direito de cada brasileiro à liberdade, garantido pelo artigo constitucional número 5. Um golpe significa colocar o Brasil e a Constituição atrás das grades. Prisão não apenas de “maconheiros, vagabundos e esquerdistas radicais armados”, como equivocados pensam, mas aprisionamento da sociedade pela perda de direitos civis. O Exército ao qual Mourão pertence é sustentado com dinheiro público para evitar exatamente a tomada do poder pela força das armas, inclusive armas militares.

Preocupa o Comando do Exército não ter reagido à fala de Mourão. Coube à imprensa e cabe a cada brasileiro se defender porque a ameaça é real e vem crescendo.

Quem admite a ideia de golpe o faz por maldade ou ignorância. Se a Constituição Federal não é suficiente para convencer os equivocados apoiadores de Mourão, talvez lembrar que na última ditadura, tão recente, a repressão política paranoica prendia ilegalmente estudantes e trabalhadores. Mulheres grávidas foram torturadas e abortaram durante as sessões de choques elétricos e estupros coletivos, mães e pais sofreram sevícias ao lado dos filhos pequenos. Crianças foram torturadas de diversas maneiras. Carlos Alexandre Azevedo, uma dessas crianças, não suportou o trauma e se matou aos 40 anos depois de uma vida de pavor.

Armas e golpes não construirão um Brasil livre, pacífico e desenvolvido. No mundo não se conhece outro caminho para essa conquista além do fortalecimento da democracia, com mais educação e respeito pelo indivíduo.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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