Entre as cidades brasileiras com mais de um milhão de habitantes, o município de São Gonçalo recebeu a pior nota do Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal: 0,6189. Somos oficialmente “a menor cidade grande do Brasil”, a menos desenvolvida.

O índice atual, baseado em dados de 2016 sobre Educação, Saúde, Emprego e Renda, é o mais baixo desde o ano de 2006 (quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento do município). Não é exagero dizer que a cidade nunca esteve tão ruim em comparação com os últimos 10 anos.

Embora a Saúde tenha apresentado melhoras, seu desenvolvimento ainda é classificado como moderado pela FIRJAN. A Educação piorou em relação ao ano de 2013 e continua refém do descaso com a merenda, da falta de inovação e de estímulo aos alunos. Já Emprego e Renda estão em queda livre: 34,7% dos jovens de São Gonçalo estão desempregados, número que supera as taxas de desocupação de jovens em países como Síria e Haiti (Jornal Daki).

Segurança Pública, um dos maiores problemas municipais e que tem impacto imediato sobre a qualidade de vida da população, ficou de fora do estudo. A situação em São Gonçalo é ainda mais grave do que o índice FIRJAN é capaz de mostrar.

O município abriga a 16ª maior população do Brasil e conta com 248,4 km² de extensão territorial. Não passa despercebido. Contudo, é a menor cidade grande do país porque é a mais desrespeitada pelos políticos eleitos nas três esferas de governo. Governantes de todos os naipes passam por ela, de Lula a Dilma Rousseff, de Sérgio Cabral a Luiz Fernando Pezão, prometendo resolver as carências do segundo maior colégio eleitoral do Rio de Janeiro. E os gonçalenses continuam sem a Linha 3 do Metrô, sem uma ligação marítima com outras regiões do Estado e sem alternativas de desenvolvimento econômico.

Os Poderes locais também não estão à altura da cidade que representam. Neilton Mulim, último prefeito, foi preso por corrupção. A prefeita anterior, Aparecida Panisset, foi condenada pela Justiça e tornada inelegível. José Luiz Nanci, prefeito atual, embora não possa ser responsabilizado pelo baixo índice de desenvolvimento, não sabe o que fazer com o próprio mandato para beneficiar a cidade. Já beneficiar a própria família usando o mandato, o prefeito Nanci sabe muito bem.

A frase usada no título desse artigo foi inspirada por duas grandes personalidades gonçalenses: Helcio Albano e Josemar Carvalho. Eles costumam dizer “São Gonçalo, a maior cidade pequena do Brasil”. Gostei do sentido e peguei ele pra mim. Para amenizar a tristeza do baixo desenvolvimento municipal, os gonçalenses podem conhecer e se apropriar daquilo que a cidade tem de melhor, como a versatilidade genial, presente em Helcio Albano, e a capacidade política, marcada em Josemar Carvalho.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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1 comentário

  1. Sensacional esse artigo!

    É inacreditável o quanto nossa cidade segue estagnada no tempo.

    Como viajo muito pelo Brasil a trabalho, principalmente para pequenas cidades, a percepção de que São Gonçalo é abandonada só aumenta.

    Linha 3 não sai, barcas agora que vão pensar em estudo de viabilidade, BRT inviável, acabaram com o trem, não temos um transporte de massa e nem ao menos uma ciclovia.

    É bizarro quando falamos de mobilidade urbana na nossa cidade…

    Abraços

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