São Gonçalo, nos socorra

Valei-nos, São Gonçalo! Carregamos teu nome não à toa, tua intercessão junto a Deus é bem-vinda. Somos um milhão de assalariados, condicionados à exclusão brasileira comum, provedores cativos do bem-estar daqueles que nos exploram. Entre nossos inimigos há quem tenha cursado apenas o Ensino Fundamental, receba R$ 15 mil por mês e ainda disponha de carro alugado às custas do suor do povo. Não conhecem a honestidade, nem o alfabeto, e nada de bom entregam às nossas vidas.

Santo querido, elegemos um homem há 3 anos como prefeito da sua cidade, e desde então a vergonha desce mais e mais sobre nós: as crianças picotam os livros superfaturados, sem saber o que fazer com eles, as adolescentes, sem sonhos de estudar e trabalhar, engravidam aos montes, os jovens praticam apenas o uso de drogas, o lixo domina as ruas, se mistura ao esgoto e o fedor se alastra, montantes de dinheiro são roubados dos cofres públicos, o ano está acabando e continuamos os mesmos ignorantes, já que a Educação é palco de experiências corruptas, que tira das crianças até a merenda, e a Cultura existe unicamente para sustentar seus parasitas.

Nossa história é saqueada junto com os tesouros do maior patrimônio histórico e cultural do município, a Fazenda Colubandê. Sem saber de onde viemos, para onde vamos, desrespeitados pela exploração política, consequentemente desunidos, como entenderíamos que somos a força motora e intelectual do Estado? Estamos em todos os cantos, presentes nas principais empresas do Rio de Janeiro e Niterói, ocupando os níveis hierárquicos de cima a baixo, contudo, ainda nos definimos como um povo subalterno, que merece sua triste realidade subdesenvolvida, a podridão, porque não sabe votar. Então eles riem, os verdadeiros culpados, secretários de governo boçais, vereadores que se fantasiam de Papai Noel, os sanguessugas, eles riem de nós porque conhecem nosso valor desperdiçado.

A alienação anestesia. A falta de esperança, deprime. Valei-nos, São Gonçalo. Enquanto há quem não desista de discutir e amar o território. É hora da ajuda divina socorrer o ativismo dos homens e mulheres bons da cidade que leva teu nome.

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