Minha mula sumiu

Comprei uma mula em outubro de 2012, em um grande leilão em São Gonçalo. Hoje peço ajuda, faz uma semana que não a vejo, procurei por toda a cidade.

Precisava de um bom animal aqui no sítio quando a comprei. De porte altivo e aparência robusta, ela parecia ser a melhor mula das redondezas, mas não gosta de trabalho não. Se pego na sela, empaca de um jeito que nem três homens tiram do lugar. O leiloeiro disse “é trabalhadora”, mas não puxa arado nem carrega balde d´água, empaca de vez. Estou arrependido, mas quero a mula de volta.

O engraçado é que a safada come que é uma beleza e adora a sombra das árvores. E é esperta: antes da primeira gota de chuva cair, quando mais preciso dela pra subir e descer as ladeiras enlameadas, ela desembesta por aí e some, não é a primeira vez, mas nunca ficou tanto tempo longe de casa. Outra ocasião entrou no sítio do vizinho, pisoteou a plantação e ainda tive que indenizá-lo. Imagine, uma mula que não trabalha e ainda me dá prejuízo!

Já falei pra ela, deixo descansar aos sábados e domingos e segunda-feira é dia de trabalho. Não tem jeito, a mula me fita com olhos negros mortos de deboche e firma as patas no chão. Informo aos conhecidos que a mula sumiu mas eles não acreditam, sabem que ela é inútil e pensam que a vendi a fim de me livrar do problema. Não importa, não tenho vergonha, fugiu de verdade e vou encontrá-la ainda que percorra o Estado a pé. Minha mula está marcada na coxa com o nome dela, Neli, caso a veja por perto.

Depois de dois anos e meio de sofrimento com sua apatia, a raiva é tão forte que vou comprar outra mula no leilão do ano que vem. Leiloeiros fazem promessas mentirosas, só que dessa vez escolho certo, uma feia que ninguém queira, acostumada com a lida, sai mais barato e são prestativas. Tem muito trabalho a fazer, as bananeiras do sítio estão cheias de cachos pra carregar.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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