O prefeito de São Gonçalo precisa sonhar mais alto

Limitações do prefeito Nanci prejudicam São Gonçalo

São Gonçalo não precisa de um político que faça promessas impossíveis pra sair da lama, mas do esforço conjunto da sociedade. Ao mesmo tempo é indispensável um prefeito que conheça a cidade por dentro e ouse sonhar alto.

José Luiz Nanci passa o dia olhando pra baixo, fiscalizando obras e observando buracos no chão. A ideologia do prefeito é vazia, pequena, sua personalidade prefere a passividade e apresenta inclinação para a mentira, como demonstrou a tentativa de desacreditar a reportagem da Globo sobre a falta de merenda na creche Palhaço Carequinha. A estatura física do prefeito reflete o tamanho de suas ambições políticas.

Nanci pode dizer, sinceramente, que deseja ver São Gonçalo limpa, acolhedora e sustentável. Se questionado, o prefeito responderá que trabalha para o desenvolvimento municipal através da educação e do investimento em infraestrutura, nada fora do comum. Ele não discute as vocações naturais do município, embora tenha nascido nele e acumule cinco mandatos como vereador. Sem analisar o potencial gonçalense, não dá pra imaginar o quão longe ele é capaz de levar a população.

Com pouco ou nenhum apoio governamental, São Gonçalo sustenta sua vocação artística, seu diversificado comércio popular e um novo movimento de empreendedores que se encontram nas ruas e estacionamentos dos supermercados nos fins de semana. Diz nada sobre isso a pobre comunicação do governo municipal, que não apresenta um projeto de cidade. Projeto que poderia se basear no varejo de roupas, na prestação de serviços para festas, nos nossos talentos no esporte e no aprendizado e exportação de novas tecnologias.

Por falta de integração entre os anseios do povo e o poder público, São Gonçalo parece parada no tempo, condenada a um futuro tão violento, sujo e informal quanto o presente. O maior movimento que acontece em nossas terras, na verdade, é gerado pelos mais de 120 mil gonçalenses que se deslocam diariamente para fora delas em busca de trabalho. Existem boas atitudes isoladas, sim. O fracassado governo Mulim também tinha, principalmente na área social.

Seja com ajuda Federal ou Estadual, Zé Luiz não demonstra sequer o desejo de recuperar os bairros inteiramente dominados pelo tráfico de drogas, sem iluminação pública e imersos na escuridão, como Santa Isabel e Engenho do Roçado. Nesses bairros os adolescentes acordam com um cigarro de maconha na mão. Empinar motos roubadas nas ruas fechadas com barricadas é seu esporte favorito.

O mais próximo de um prefeito visionário que Nanci consegue chegar é quando participa de eventos de definição de estratégias e ações conjuntas entre municípios. Nesses eventos Nanci apresenta uma obsessão estranha: tirar uma fotografia ao lado dos mascotes e das placas de divulgação é sempre mais importante do que a profundidade e originalidade do seu discurso.

Por limitação mental ou falta de fé no município, o prefeito de São Gonçalo prejudica o desenvolvimento da cidade que governa.

Como a mulher de Nanci se tornou Chefe de Gabinete

Mal governados pela primeira-dama

José Luiz Nanci e Eliane Gabriel decidem o futuro de São Gonçalo em casa, na mesa do jantar. Na noite do dia 5 de novembro, o prefeito abriu os botões da camisa até embaixo, exibindo o peito e a barriga, e o penteado da primeira-dama permaneceu intocável durante a conversa.

– Querida, já nomeamos oito parentes e não sobrou nenhum disponível pra colocarmos no lugar do Rominho. Vou precisar de você de novo até que as coisas se acalmem lá na Prefeitura.

– Você dá ouvidos demais a essa corja, Zé. Deveria ter deixado o Rômulo no Gabinete, família vem em primeiro lugar. Matamos dois leões todo santo dia: a oposição e a imprensa. Precisamos nos defender.

– Eu sei, amor, mas a pressão estava grande demais. E eu não tinha nada a dizer a favor do Rominho. É um bom menino, mas que talento ele tem? O Ministério Público está no meu calcanhar.

– E que talento eu tenho?

Acompanhou a pergunta de Eliane um sorriso sexy, provocante. Sem os sapatos, a primeira-dama tocou a virilha do marido com o pé direito por baixo da mesa. O prefeito tremeu.

– Ora, você é minha Dama de Ferro. Nossos inimigos te respeitam. Melhor ainda, eles têm medo de você.

– Eu exijo respeito de todos porque sei que meu lugar é ao seu lado e nada vai nos separar.

– Adoro quando você fala assim. Mexe comigo por dentro.

– Não perca o foco, Zé.

– Foi você quem me cutucou por baixo da mesa!

– Quando saímos de casa, logo na esquina tem gente querendo se aproveitar de você. Vamos pensar em outro nome para a Chefia de Gabinete, desde que o sobrenome seja Nanci ou Gabriel. Devemos ficar unidos.

– Pensei em convidarmos aquele administrador gonçalense que fez pós-graduação na Alemanha. O cara exerceu cargos de chefia nas maiores empresas do país.

– Não, Zé! Tem que ser parente, você precisa do nosso apoio. Estava pensando na minha prima Marta, aquela que é médica. O povo adora um doutor. Mas ela se mudou para os Estados Unidos mês passado.

– Por favor, Eliane. Estou cansado dessa vida de prefeito, não consigo mais dormir.

– Dizendo essas coisas você só nos prejudica, Zé Luiz. Seja homem.

Enfim a primeira-dama cedeu. No dia seguinte, 6 de novembro, Eliane voltou a ocupar, oficialmente, um cargo público no governo de São Gonçalo. O site da Prefeitura ainda aponta Rômulo Tarouquella, genro do casal, como Chefe de Gabinete, mas isso não importa porque a família continua unida.

Nanci entregou São Gonçalo aos parentes

Nanci entregou São Gonçalo aos parentes

“Eu sou mandado pela minha família”, diz José Luiz Nanci nesse vídeo gravado em maio. A fala, que sugere humildade, confirma o caráter frágil do prefeito de São Gonçalo, caráter que transformou o governo municipal na sala de estar da família Nanci. Em menos de dez meses de governo, oito parentes do prefeito e da primeira-dama ocuparam cargos públicos importantes, sustentados com altos salários.

Eliane Nanci, primeira-dama, foi presidente (não remunerada) da Comissão Especial de Desenvolvimento, Relações Institucionais, Prospecção e Controle de Receita e Despesa. No lugar do prefeito, oficialmente mandava em tudo.

Badiá Gabriel, prima de Eliane, comandou a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano.

Isabelle Gabriel, outra prima de Eliane, ocupou a chefia do Gabinete do Prefeito. O marido de Isabelle, Guilherme Correa, foi secretário municipal de Administração.

Rômulo Tarouquella, genro de Nanci, foi secretário de Planejamento e Projetos Especiais e depois substituiu Isabelle na chefia do Gabinete. Exonerado no último dia 16, esse cara custava sozinho R$ 46 mil por mês aos cofres públicos. Claudia Tarouquella, mãe de Rômulo, comanda a Fundação de Assistência à Saúde dos Servidores de São Gonçalo. Sua gestão é acusada de autoritarismo (Diário Oficial) e rende R$ 12 mil de salário.

Thomaz Nanci, primo do prefeito, é subsecretário de Saúde e Rebeca Nanci, sobrinha, é assessora especial no Gabinete de Nanci. Ambos recebem salário de R$ 9,4 mil (O São Gonçalo).

Há gonçalenses em posições estratégicas nas principais empresas do Estado. O prefeito conhece gente na cidade, sem nenhuma relação de parentesco com ele nem com a primeira-dama, capacitada para exercer qualquer função no Governo. O favorecimento de parentes nos cargos de confiança ofende o servidor público municipal, concursado e mal pago.

O vereador Sandro Almeida impetrou ação cível no Ministério Público (MP) onde acusa o prefeito de nepotismo pela nomeação do genro, que tinha status de secretário. Ao todo o MP investiga seis parentes de Nanci que possuem cargos comissionados (O Fluminense).

José Luiz Nanci nomeia alguns parentes em linha reta ou colateral, por consanguinidade ou afinidade, eles sugam o dinheiro público durante um tempo, a pressão da opinião pública e da Câmara Municipal aumenta, Nanci exonera esses parentes e depois admite outros. É algo cíclico, grave, corrosivo, evidente mesmo em pouco tempo de gestão.