Se deixarmos de lado as ironias ridículas e as promessas que fazem nossos candidatos preferidos à Presidência da República, pessoas acima de tudo tentando se eleger, a gente vai descobrir que deseja construir o mesmo Brasil.

Um Brasil livre da pobreza. Onde novas famílias nascem e vivem em segurança, independentemente da classe social e da cor da pele. Ninguém cria família em paz sem habitação, saneamento básico, lazer, educação e dignidade, como nas favelas.

Não há fome no Brasil que queremos. E nenhum faminto fica aguardando com linha e anzol na mão o peixe morder a isca. A gente divide o peixe que pescou e mata a fome dos brasileiros. Pronta para aprender a pescar, com os filhos na escola, o desenvolvimento econômico poderá suprir as necessidades dessa família.

Precisamos de um país seguro, o que não podemos admitir é algo ainda mais selvagem, um mar de sangue profundo para secarmos um dia quando estivermos sóbrios. Quando se atira com fuzil contra quem atira com pistola, não raro os mortos são os inocentes, crianças dentro de casa ou brincando na rua. Não esperamos que as autoridades respondam aos bandidos com violência maior, mas que evitem que a violência maior aconteça através de medidas inteligentes de segurança pública, impedindo que as armas cheguem às mãos dos bandidos. Senão teremos algo menos digno do que um chiqueiro armado no lugar de uma nação.

Se por união social clamamos, as principais vítimas desses 518 anos de história devem ser claramente identificadas e elas são os negros e os índios brasileiros. Cada homicídio além dos mais de 10 milhões de assassinados até 1850 (Darcy Ribeiro, O povo brasileiro) fere a alma nacional. Por ano são quase 60 mil pessoas mortas, 71,5% pretas ou pardas.

Desejamos igualdade salarial – brancos, negros, homens e mulheres proporcionalmente ganhando o mesmo salário. Dizer que basta competência para o sucesso profissional ofende às pessoas que não têm ao menos a oportunidade de seguir seus sonhos, entrar na universidade e desenvolver competências no mercado de trabalho.

Um Brasil melhor tem a obrigação de exibir nos museus a diversidade sexual. Porque vivemos em um país que mata, em números recordes, quem se comporta de maneira diferente do antigo padrão de sociedade perfeita. Quem se sente constrangido pela diversidade pode não visitar a exposição. E tanto quanto os museus, as escolas desempenham papel fundamental. Se a diversidade humana não for citada onde as crianças passam boa parte do tempo, não viveremos em um país livre.

Estamos ansiosos por um Brasil atuante contra seus problemas sociais. Defensor incondicional da vida humana, rigoroso contra a corrupção e contra a ineficiência da Justiça. Metade da população não ganha por mês sequer o considerado mínimo para a sobrevivência digna. A falta de estratégias para resolver essas questões, inclusive a ausência do pobre no discurso de vários candidatos, indica que não querem construir o mesmo Brasil que nós.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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