Cento e sessenta pessoas reunidas na praça de Santa Isabel, às 8h da manhã de um domingo de sol, para visitar as Grutas de Caulim provaram – mais uma vez – que existem passeios prazerosos em São Gonçalo. O que falta é incentivo à visitação e preservação por parte do poder público.

Santa Isabel foi transformado no dia seis de março. Ao lado das pilhas de lixo disputadas por porcos e urubus, gonçalenses dos cinco distritos tomaram as ruas do bairro e prometeram mais do que não sujá-lo, também recolher a sujeira que encontrassem na trilha até as cavernas. Respeito pela natureza da cidade era a orientação principal do grupo. Com o devido esclarecimento, inclusive o indivíduo que deposita sua sacola de lixo na esquina e segue calmamente em direção à academia pode se tornar um cidadão.

A partir da praça, caminhamos sem dificuldade, além do sol intenso, até o ponto final da linha de ônibus municipal 01. Neste ponto a São Gonçalo eletrizada como conhecemos termina (ou começa na direção contrária, como indica a numeração da linha). Vemos um largo com três ruas, três caminhos, um mais misterioso que o outro, o primeiro à esquerda, outro no meio e o último à direita, parecem as portas do destino que nos deparamos ao longo da vida. O asfalto acaba, há morros e árvores e mais animais, bois, muitos bois. A rua do lado direito, de terra batida, nos levou ao conjunto de 22 cavernas, com aproximadamente 10.000m² de extensão e salões com mais de 30m de altura, de acordo com a Prefeitura.

O primeiro córrego apareceu após alguns minutos andando, já suados, o mato verde, vigoroso, dominou a paisagem e o boné para proteger o rosto e alguns goles de água foram necessários. Qualquer pessoa desmotivada desistiria neste momento apesar da trilha dentro da mata ainda não ter começado: a poeira subia a cada passo, o sol se fortalecia e a paisagem assumia definitivamente feições rurais. Ninguém desistiu, nem entre idosos e crianças, a multidão caminhava firme, extensa, como uma procissão religiosa ou manifestação política, ansiosa pelo contato íntimo com a cidade. Perceber este sentimento generalizado de amor por São Gonçalo foi a maior emoção do passeio.

Depois de aproximadamente duas horas superando trechos íngremes, cansativos, escorregadios e estreitos, cortes no corpo feitos pelo mato e clima abafado – iniciantes tiveram bastante paciência – na primeira gruta vista ecoaram os assovios, gritos, urros e a alegria. Descobríamos que as cavernas de Santa Isabel são reais, com direito à escuridão total, morcegos e piscinas.

Experiências como esta merecem mais divulgação das esferas de governo. Mais do que nota publicada no site da Prefeitura ou posts em redes sociais. Panfletagem com dados sobre a formação do complexo e pontos de informações turísticas, no mínimo. Antes que Maricá possua as grutas na cara-de-pau, como Niterói tomou Itaipu, antes que estejam tão pichadas quanto as principais vias gonçalenses.

Longe do centro urbano poluído de calor infernal, me refresquei na água cristalina e gelada que escorria do teto de uma pequena gruta. Se alguém me contasse, não acreditaria.

Publicado por Mário Lima Jr.

Gonçalense, escrevo sobre política e sociedade em defesa da essência humana.

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2 comentários

  1. Parabéns pela produção.
    Quanto mais soubermos da nossa cidade mais podemos aproveita-lá.

    Existe outro espaço em que eu possa ter acesso aos seus textos?

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