Viva o Teatro Municipal de São Gonçalo

Viva o Teatro Municipal de São Gonçalo

Explorado como palanque político até na noite de abertura, quarta-feira passada, finalmente o Teatro de São Gonçalo nasceu para a arte e para o público através de uma apresentação marcante da Orquestra Municipal. Que não emocionou a plateia sozinha, a Orquestra contou com a performance de alto nível da Companhia Art e Dance, do projeto social de percussão Sorrindo e Batucando e da Associação dos Músicos Brasil-Escócia.

Depois do investimento de R$ 14 milhões, duas inaugurações falsas, feitas por Mulim e Nanci, e cinco longos anos desperdiçados sob portas fechadas, na abertura do teatro o público deveria consumir arte, nada mais. Antes da primeira nota musical, discursaram na segunda sessão do evento o secretário de turismo e cultura, o secretário de gestão integrada e projetos especiais, filho do prefeito, e o prefeito de São Gonçalo, acompanhado pelo vice. No meio da apresentação, o maestro também discursou a favor do governo, mesmo reconhecendo que maestros geralmente não falam. E como último ato da noite, a plateia precisou de mais paciência para tolerar outro integrante do governo sem capacidade artística que se sentiu no direito de subir ao palco e usar o microfone.

O público perdeu a chance de levar para casa somente a beleza dos artistas. Por exemplo, a Orquestra Municipal começou seu espetáculo tocando de forma impecável a abertura da ópera O Guarani, na versão da Família Lima. Dentro do teatro a sensação era de que a música nos invadia e se espalhava pela cidade inteira, de Santa Isabel a Neves, levando sensibilidade e amor. O suspense, o medo e a urgência carregados na cadência do clássico de Carlos Gomes provocaram meu primeiro arrepio pelo corpo.

Composta por mais de cinquenta músicos, cada membro da Orquestra possui talento suficiente para, sozinho, proporcionar ao público uma experiência incrível. Com seus instrumentos ou com participações vocais memoráveis. Tocando e cantando juntos, deixaram todos de boca aberta e olhos vidrados, aplaudindo com força, várias vezes de pé.

O intenso drama na performance de O Fantasma da Ópera, apresentada com precisão rigorosa, causou em mim o segundo arrepio. Ninguém é capaz de compreender a cultura gonçalense até testemunhar o quanto a Orquestra eleva e diversifica a prática musical no município. Tudo feito com alegria, sorrisos e empolgação, sem nenhum sinal de cansaço, mesmo na segunda sessão. O grupo também trouxe clássicos da música popular nacional e internacional, tornados ainda mais belos pelos papéis interpretados por bailarinos.

Na maior surpresa da noite, crianças e adolescentes entraram em fila no teatro, tocando pandeiros e tambores enquanto se aproximavam do palco. O público batucou junto, com o coração e a palma da mão. Terceiro arrepio. No olhar de cada um deles havia uma certeza: se apresentar no Teatro Municipal de São Gonçalo era a realização mais especial de suas jovens carreiras. Grande acerto da Secretaria de Cultura, afinal, a juventude gonçalense não poderia faltar num momento tão extraordinário.

Sobre a atenção às crianças, alguém no Governo Nelson se lembrou de fazer o dever de casa obrigatório. No dia seguinte, alunos da rede municipal assistiram uma peça infantil. Principalmente por causa deles, e dos jovens que sorriram e batucaram, o Teatro está vivo.

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