A verdade sobre a Praia das Pedrinhas

Foto: Prefeitura de São Gonçalo

Vocês me disseram para evitar a Praia das Pedrinhas porque o lugar era perigoso, em região dominada pela bandidagem. Entre outras falsas acusações, que era difícil estacionar perto da praia e que ela ficava distante demais do estacionamento do shopping São Gonçalo, “impossível andar até lá”. Mentirosos! Não imponham aos outros as amarguras que vocês cultivam na vida.

Em dias normais, a Praia das Pedrinhas é uma opção de lazer tão viável e segura quanto qualquer outra em São Gonçalo. A praia tem sido muito frequentada nos fins de semana, o que aumenta a sensação de segurança. Durante a comemoração pelos 132 anos de emancipação político-administrativa, com a forte presença da Guarda Municipal para organizar o trânsito e da Polícia Militar, Pedrinhas se tornou um dos lugares mais protegidos da cidade.

Ao lado da mesa em que sentei com minha família pra comer um peixe frito, uma bicha (como ela pedia para ser chamada) quicava no colo de um homem e prometia masturbá-lo. O homem só ria e aproveitava. Meu filho ouviu a promessa e ficou chocado. Parecia Carnaval na Praia das Pedrinhas e este episódio incomodou todos à mesa, mas o brasileiro sabe que álcool e multidões produzem eventos inesperados em qualquer lugar. No fim da performance, a bicha nos pediu desculpas e revelou que seu maior sonho é se casar e mudar para Dubai.

Na mesma mesa, as ondas do mar batiam nas pedras e alguns pingos nos molhavam de vez em quando. Na medida exata, sem atrapalhar a refeição. Morando em São Gonçalo desde 1989, foi a primeira vez que almocei ouvindo o som do mar e dos pássaros que ocupam as árvores da orla gonçalense. Mentirosos tentaram tirar isso de mim, mas não conseguiram.

Numa outra ocasião em que a praia esteja muito cheia, sentar dentro do restaurante deve ser uma escolha mais sensata. A estreita faixa de areia, do outro lado da rua, pertence à liberdade do povo. Sentar no restaurante tem outra vantagem: ficar mais próximo da cozinha, do gerente e dos garçons. Na Praia das Pedrinhas lotada, o atendimento não costuma ser rápido, de acordo com frequentadores. Quase desistimos do nosso pedido, mas a espera valeu a pena. O dourado, o caranguejo e o bolinho de bacalhau foram aprovados pela família, mesmo a maioria achando que não era bacalhau.

Há restaurantes passando por grandes reformas na Praia das Pedrinhas. Ela se tornou um local de claro crescimento econômico e cultural, em breve as mentiras não se sustentarão. No último sábado, a Porto da Pedra se apresentava lindamente no palco montado na rua, a poucos metros as crianças brincavam na quadra de esportes e jovens namoravam na praça. A verdade sobre a Praia das Pedrinhas é que seus frequentadores são mais inteligentes do que aqueles que não acreditam em São Gonçalo.

Quando você se entrega, a Missa deixa de ser “chata”

Foto: Leonardo Ferraz, O São Gonçalo

Se você troca a Missa no domingo por uma festa ou jogo de futebol, esse texto é pra você. Se deixou de ir à Missa porque acha “chato” e não consegue prestar atenção, vou contar de que maneira a partilha do Corpo de Cristo termina com alegria completa, sem perdedores. Como a Celebração da Eucaristia é mais feliz do que uma comemoração regada à champagne num rooftop em Ipanema.

Em primeiro lugar, a Missa é celebrada em diversos horários, em paróquias diferentes na sua cidade. Nas redes sociais de cada igreja dá pra ver o melhor horário pra você, Missa não atrapalha jogo nem festa. Se o jogo for à tarde, assista a Missa de manhã. Se a festa for de manhã, a Missa é celebrada à tarde e à noite também. Não ir à Missa sob qualquer desculpa é jogar fora a própria salvação.

Se entregar na Missa é simples, basta lembrar de participar de cada ato que acontece. A festa é boa quando tem música, comida e bebida. Fica melhor depois que levantamos da mesa para dançar e conversar com outros convidados. Quando celebramos aquele momento especial com os presentes. Com a Santa Missa não é diferente. O quanto seu coração está aberto é mais importante do que o humor do celebrante, instrumento que Deus usará do jeito que preferir.

Faça o Sinal da Cruz sem pressa, cobrindo corpo e alma, repetindo devagar em nome de quem você está ali. Depois, lembre que Jesus deu a vida por nós da forma mais violenta possível, sem ter crime algum. E ainda perdoou seus assassinos. Se Deus foi capaz disso por amor, através Dele somos capazes da humildade de reconhecer nossos pecados e pedir perdão por eles.

Do início ao fim da Missa também tem música e canto. E diz o ditado popular que quem canta reza duas vezes. Aproveite pra cantar, aplaudir e levantar os braços, como fazemos nos shows. Ao invés do DJ no palco incentivando o público a interagir com ele, Deus Vivo está no Altar nos entregando mais uma vez a Comunhão que nos conduz ao Céu.

Participar da Missa significa ouvir a Palavra de Deus sabendo que precisamos do que Ela diz para guiar nossos passos e vencer as injustiças do mundo. Cada palavra dita nas Leituras e no Evangelho proclamado traz as respostas que você espera nas suas orações. Tudo que é preciso para prestar atenção é dar uma chance a Deus, ao leitor, a você mesmo.

Entre diversas outras atrações, a festa de Jesus inclui o Pai-Nosso, oração maior que Ele nos ensinou, a distribuição da Paz de Cristo e a benção final, que dá forças para cumprirmos a rotina de trabalho, estudo e compromissos ao longo da semana. É triste e difícil demais viver sem benefícios como esses! Com a participação sincera na Missa, ainda levamos pra casa a oferta de uma eternidade no paraíso.

Na Estrada do Pacheco tudo se mistura

É confuso caminhar em qualquer trecho da longa Estrada do Pacheco. Nela se misturam o abandono governamental, a inocência do passado que resiste em São Gonçalo e uma clara tentativa de desenvolvimento comercial e habitacional. Informação demais numa estrada que conta com outras combinações inusitadas, como camelô vendendo salgado na frente de restaurante japonês.

Durante a saída escolar do turno da tarde, quando o trânsito ruim consegue piorar, nenhum lugar em 248 km² de território municipal se compara à diversidade da região cortada pela Estrada do Pacheco. Nem mesmo Alcântara, onde o caos já está estabilizado. Um extremo da estrada é ligado à Estrada Raul Veiga, mais urbanizada e com pelo menos dois prédios comerciais de grande porte. Na outra ponta ela está conectada à Estrada do Sacramento, que lembra a São Gonçalo do passado onde predominavam mercearias e bares humildes. Como a Estrada do Pacheco é uma via de mão dupla, nesse horário o princípio de urbanização e a vida rudimentar se cruzam o tempo inteiro com pais, responsáveis e estudantes de idades diferentes na rua.

Aí que mentes não acostumadas a essa intensidade toda conseguem se acalmar. Quando percebem que os protagonistas da Estrada do Pacheco são os gonçalenses, ao invés de motos barulhentas e imóveis antigos transformados em lojas. Em São Gonçalo o povo não se esconde em casa.

Além das calçadas, alunos das escolas da região ocupam o lado esquerdo do terreno enorme em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída em 1844 (Histórias e Monumentos). No lado direito do terreno está instalado um circo. Juventude correndo pra lá e pra cá, tesouros históricos e até circo, ou eventualmente parque de diversões, vemos na Estrada do Pacheco. Ninguém passa por ela sem sentir na pele do que São Gonçalo é feita.

Os adolescentes mais velhos se sentam na porta da Igreja pra namorar. Aqueles que só querem conversar ficam no pátio da paróquia, embaixo da sombra das árvores próximas da porta lateral. Quem veio para brincar leva bola e organiza jogos sem tirar o uniforme escolar. Elemento raro longe da área rural, o gigantesco espaço aberto completa a mistura nesse trecho da Estrada do Pacheco. Que além de história, sobrevivência e alegria, inclui beleza.