Deus também espera receber de nós

Um trecho da Oração de São Francisco, que é muito bonita, diz: “Pois é dando, que se recebe”. A recompensa é imediata, tanto no céu quanto na terra. Como é que você se sente quando ajuda alguém? Preenchido pela sensação alegre de estar no caminho certo, mesmo se a ajuda foi pequena. No curto prazo, socorrer alguém salva nosso dia. No futuro, pode fazer a diferença necessária para uma eternidade mais confortável, à sombra, sem tanto calor, se você me entende.

No contexto da oração, a frase significa dar o que o irmão precisa receber. Não sabe como ajudar? Compre um pacote de balas no semáforo, mesmo se não gostar da bala. Acompanhe um idoso atravessando a rua. Também não é difícil encontrar instituições de caridade e projetos sociais aguardando doações e voluntários.

Para uma vida de união e para nosso próprio bem, Deus quer que amemos uns aos outros. Mas, compreendi há pouco tempo que Ele também espera receber de nós. Receber nosso tempo, amor, atenção, devoção e o que temos de mais valioso, nossos talentos. Se você parar o que estiver fazendo agora e disser “Obrigado, Deus”, serão dois segundos que você ofertará a Ele. A alegria que vem em seguida é parecida com aquela que sentimos ao ajudar alguém na rua. Quem estiver triste, sem nada de bom pra agradecer, estará agradecendo pela oportunidade de recomeçar a luta com a ajuda divina, de algum amigo ou familiar. Agradeça e peça a ajuda logo.

Se dois segundos ofertados a Deus nos trazem paz e felicidade, imagine o que acontece quando rezamos o Terço, que dura aproximadamente trinta minutos. Ou quando participamos da Santa Missa, que geralmente leva pouco mais de uma hora. Recebemos em dobro quando entregamos nossa existência a Deus.

Durante minha vida inteira ouvi que Deus também espera receber de nós, só agora a “ficha caiu”. Embora cheio de erros, Ele me escolheu pra gostar de escrever, então não posso deixar de escrever sobre Ele. O que nos torna especiais não é a aparência, mas aquilo que gostamos de fazer. Faça por Deus.

Cada Terço nos carros é uma prova de fé

Gosto demais quando vejo um Terço pendurado no retrovisor de um carro estacionado. Ou quando, no meio da estrada, o veículo da frente vai levando o adesivo de um Terço colado na traseira, geralmente com a imagem de Nossa Senhora no meio. Significa, no mínimo, que o dono do carro acredita na proteção da Cruz Sagrada de Cristo. Em tempos de profunda crise política, ataques e mentiras, cada Terço é uma lembrança de que ainda estamos unidos em Jesus, único caminho, vida e, principalmente, verdade.

É um hábito antigo dos brasileiros, inclusive não católicos que querem espantar a urucubaca, mas não parece que o costume do Terço no carro tem se tornado mais popular? O adesivo com o Terço em volta da Virgem Maria “viralizou” há alguns anos e continua se espalhando, o que me acalma bastante quando estou dirigindo. Direção não é meu ponto forte, se eu bater num carro com um Terço colado ou pendurado, imagino que o diálogo para resolver o problema será mais civilizado. Já atropelei minha mãe, minha sogra, um carrinho de compras no estacionamento do supermercado e arrastei a mangueira de uma bomba de combustível, entre outros acontecimentos falhos.

Acredito que nem todas as pessoas com um Terço no carro meditem sobre os mistérios do Rosário com frequência. Era a oração preferida de São João Paulo II e as graças que Deus concede através do Terço conquistam quem as descobre. A presença do objeto nos veículos já é maravilhosa, mas imagino como seria incrível se cada motorista que carrega o Terço rezasse pelo menos uma Ave Maria no mesmo dia durante seu trajeto. Seria uma onda de oração pelo país inteiro! Quarta-feira, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é uma boa oportunidade. Se você tiver um Terço no carro, ou em casa, vamos rezar juntos na quarta, no horário que for melhor pra você.

Por 13 anos passei diariamente por três cidades na ida e na volta do trabalho: São Gonçalo, Niterói e Rio de Janeiro. Sempre que precisava renovar minha fé em Deus por um mundo melhor, “do nada” aparecia um carro com um Terço no meu caminho. Se você tiver um Terço no seu veículo, obrigado! Não importa a cidade onde more, obrigado por conduzir esperança.

Defender a vida sob qualquer condição

É resultado da vida toda ação ou pensamento humano, por menor que seja. Inclusive atos e intenções que não respeitem plenamente a vida. Discutir quando ela começa é estupidez. Do ventre materno à velhice, cada vida humana possui valor único e deve ser amada e defendida sob qualquer condição.

A vida não perde valor nem quando alguém aponta um fuzil. Por isso, um país com dignidade não parabeniza a polícia depois que bandidos são mortos em confronto. Uma sociedade decente lamenta o risco que a polícia sofreu e trabalha duro, sem comemorar, para que as armas sejam retiradas das ruas, dos morros e das periferias e ninguém – principalmente a polícia – seja ameaçado por elas.

Protestar contra o aborto e abandonar mulheres que buscam clínicas clandestinas e morrem durante o procedimento permite a manutenção do país injusto em que vivemos. Elas precisam ser ouvidas e acolhidas antes que matem ou morram, a vida delas tem tanta importância quanto aquela que carregam no ventre.

A primeira célula logo após a concepção envolve todo amor de Deus pela humanidade. Então o que Jesus Cristo faria diante de uma menina de 10 anos grávida depois de ser estuprada? Sua primeira atitude seria um abraço de tanta compaixão que a morte passaria longe dali. Assim deveríamos agir, ao invés de perseguir a garota e a família dela com blasfêmias. A lei humana que permite o aborto após o estupro é a mesma que autoriza a polícia, aplaudida, a atirar em legítima defesa. Mas se a vida fosse defendida sob qualquer condição, matar jamais seria legítimo.

Esquecemos o bebê faminto em casa, o menino e a menina pedindo esmola na rua e o jovem recrutado pelo crime. Não há campanhas em defesa da vida deles. A família que conta com discursos de proteção é aquela que admite a morte de mulheres que desejam abortar, que aceita chacinas nas favelas, envolvendo inocentes, e que sequer se preocupa com 33 milhões de brasileiros passando fome (CNN). No cálculo final, há mais desprezo do que valorização da vida, embora sejam tão diversas as condições que afetam o destino das pessoas.